Aquando a viragem do novo século, Spielberg realizou A.I. em 2001, que devia ainda bastante a Kubrick, mas no ano seguinte surgiu Relatório Minoritário, uma adaptação brilhante de ficção cientifica, originalmente uma história de Philip K. Dick. Fazendo uso da tecnologia da Dreamworks a nivel visual apoiada na dimensão social que a justiça e a impunidade criminal traziam no lançamento do filme, após os ataques em solo Americano de Setembro, Relatório Minoritário é uma obra de um cineasta negro, que eleva a arte do cinema ao domínio do perceptível mas incalculável, o futuro. Tom Cruise é um agente de uma brigada de Pré-crime, que tem a responsabilidade de actuar ao aviso de sinopses de três pre-cogs que têm capacidade de ver o futuro, mas também vidas passadas.
Reading Myself and Others é uma coleção de artigos de jornal e de palestras dadas por Philip Roth maioritariamente nos anos 70. Também incluidas estão algumas entrevistas interessantes, versando principalmente nos primeiros livros. O unico contra será o engrandecimento do mito judaico, mas dada a preponderância do assunto no perfil do escritor, perdoa-se. Serve para ficar a conhecer melhor Roth, que desde que vive em New England vive para escrever quase em reclusão total.
Para Michael Howe, a genialidade é um conceito aleatório, que independentemente das aspirações é apenas concedida pelos outros, no geral, vários anos após a morte. Ninguém nasce com características especiais, mas a maneira como são estimulados é que permite algumas pessoas de atingirem patamares de desenvolvimento intelectual que ultrapassam a maioria da população. Em Genius Explained ele analisa personalidades que são tidas como génios como Darwin, Einstein e Mozart, fazendo ver que mais do que uma predisposição natural, eles foram inclinados e tiveram, isso sim, uma grande dedicação. A memória quando usada em algo com que somos familiares é muito mais efectiva. Para além de conseguir provar o ponto, Howe tem também mérito como biografo.
Capitalismo criativo. Que medo, paira o temor da mancha vermelha. Mas não é disso que se trata, mas sim de uma das propostas da Bill & Melinda Gates Foundation, difundida na Time da semana passada. Ler aqui, bastante interessante, com os precedentes deste conceito que faz por mostrar 'as empresas que existem mercados não explorados, que por entre a caridade, estão boas oportunidades de negócio, dando exemplos como a campanha (Red) ou o micro-crédito, tão em voga no Oeste, mas que começou no Bangladesh 'a trinta anos. Para os mais desleixados, podem recostar-se na cadeira e ver uma entrevista do editor da Time a Bill Gates sobre o assunto.
Broken Blossoms de D.W. Griffith é uma das obras primas do cinema. Lançado em 1919, começa com navegadores Americanos, forasteiros que contrastam com a cultura Chinesa pacifica. O Homem Amarelo, que visita o tempo de Buddha antes de iniciar a sua viagem está certo que o mundo Ocidental precisa dos seus ensinamentos. Ao mudar-se para Londres como um lojista, recebe a crueldade das grandes cidades, ao mesmo tempo que se refugia nos hangares nocturnos onde orientais revivem pedaços de casa. Desviado pelo ópio, encontra-se com Lucy, White Blossom, uma rapariga tristonha que muda tudo. Estonteante, belissimo nos detalhes e arrojos cénicos. Um drama que sobe progressivamente, apenas com um contra, a sonorização é muito fraca, apenas com um trecho musical a repetir.
Terceiro Blueprint? Não que o Kingdom Come e o American Gangster sejam maus, mas não é a mesma coisa. E enquanto o Kanye for só produtor sem abrir a boca, a coisa não descarrila.
Ao dormir no quarto onde Guy Fawkes nasceu em York, deparei-me com dois textos muito interessantes. The First Ten Books de Confucius, um pequeno volume em dez capitulos, onde este explora a filosofia chinesa que pode ser descrita no dever de o homem se importar com ele próprio e o conhecimento, para a criação de um ser humano melhor, e não para servir a Deus e pensar numa vida futura. O segundo, de Michel de Montaigne, que iniciou o formato de dissertação, é uma ode 'a libertação e 'a igualdade chamada On Friendship, onde clama pela união e respeito nos diferentes niveis de relacionamentos, incluindo extra-humanos.
Escrito para ele próprio, o Livro do Desassossego é um monólogo com anotações dos clássicos por um romancista. Os anos de excelência que Pessoa leva em avanço aos escritores do mundano, fazem desta obra, essencial no canone lusitano. A validade (e sanidade) de algumas ideias aqui contidas devem ser questionadas, mas contas feitas e a balança pende para o lado de génio.
A publicação deste Diário Remendado de Luiz Pacheco,, vinha já a ser cozinhada em 1974, como algo para ganhar dinheiro. Existem títulos 'a volta deste gigante Português bem mais interessantes, mas o seu amâgo é aqui reproduzido em doses menores. As aventuras pelos editores a cobrar dinheiro, as desventuras homossexuais, as brincadeiras com o filho Paulocas, as ideias de exilio, as desintoxicações, os ódios, as personnas non grata, estão cá todos. O clima de revolução torna-o quase paranóico com o falhanço do impacto de Pacheco versus Cesariny , que lhe tomou tanto tempo a preparar, mas alivia-lhe o problema das contas, se antes a electricidade e o gás lhe eram cortados por falta de pagamentos, com o emaranhado de 74, os serviços funcionam mal e Pacheco não tem agora necessidade de penhorar relógios. Não será a melhor introdução, pois Pacheco no seu melhor é espicaçado em entrevistas, mas constitui um documento sobre esta figura que se pôs 'a margem de tudo e trilhou o seu próprio caminho.
Uma das grandes obras da ficção cientifca, We, do Russo Yevgeny Zamyatin foi a inspiração de Orwell para 1984. Essa, publicada em 1948 foi precedida pela obra de Zamyatin, escrita durante vários anos e que ficou finalizada em 1922, ano em que se iniciou a publicação de várias traduções nomeadamente na Republica Checa e Austria, chamando a atenção a vários académicos que levaram We para os seus países e fizeram a tradução. Com a censura soviética acaba por ser irónico que a peça na língua em que foi escrita, foi apenas publicada em 1988. Os principios que Orwell fez uso estão aqui todos, um poder centralizador que conjuga em si todos os poderes e elimina as pretensões individuais. Num cenário em que olhando séculos para trás, é possível analisar os despojos da nossa sociedade actual, estudada pela arqueologia. As personagens, todas reconhecidas por números interligam-se entre si, suscitando duvidas perante a autoridade do Installer, a máquina central. Uma obra notável, ainda para mais tendo sido escrita 'a quase cem anos numa Russia comunista.
Escrito com o coração, mas não com a cabeça de Roth que é capaz de encadeamentos lógícos aqui descurados em prol de manifestações de afecto e exercicios de memória, Património é ainda assim uma obra avassaladora. Gélida, sobretudo no final, relata a história do seu pai Herman Roth, desde que lhe é descoberto um tumor, rebobinando até 'as raizes do Judaismo na América. A partir de certo momento, é possível ver que este livro não é uma catárse, mas está a ser escrito consoante o passar dos dias, em tempo real, com as quedas e regressos 'a pista de Herman. Percebe-se assim o abrupto final, cerca de dez páginas apenas, que passam desde o dia que ele morre e são escritos em retrospectiva.
Os ramos da árvore de Roth estão podados neste Animal Moribundo, distinguindo-se os que carecem de solidão, pelos instintos vingativos. Contudo, se é assumido como ridiculo um homem de 62 anos pensar intermitentemente numa criança de 24, não serão tantas páginas sobre sexo lidas por comiseração para com o escritor septuagenário. Falar de amor, é possível fazê-lo de várias maneiras, para solucioná-lo há que fazer estragos. E o livro parece carecer de uma explosão, que chega perto do final, com Consuela, menosprezada quase sempre, a despertar dentro do protagonista. Cru, mortal, como de costume, Roth serve-se ainda das punchlines, que em duas linhas resumem a vida.
Paris, Je T'Aime, um filme colectivo dedicado a Paris, é um solene testamento ao amor. Das pedras exacerba-se um calor humano que é transmitido por quase todos os realizadores para o ecran. As peças mais interessantes são as dos irmãos Cohen, Christopher Doyle, Sylvain Chomet e Tom Tykwer. Diferentes perspectivas sobre algo tão pessoal, recomendável.
Dirigido por Robert Altman, Shortcuts não é um mau filme. Mas ver três horas seguidas de trivialidades, não está ao alcance (felizmente) de qualquer um. Supostamente seria uma análise aos niveis de relação que estabelecemos, mas fora a propaganda, trata-se somente dum filme sobre miséria moral. E tem cerca de vinte e cinco actores a disputar o papel principal, não havia mais ninguém em Hollywood.
Esta entrada dupla serve para dois artigos relacionados com skate. O primeiro, um livro de Sean Mortimer chamado Stalefish, é um conjunto de entrevistas 'as figuras que iniciaram nos anos 60, aqueles que continuaram nos 70, os que tiveram sucesso nos 80 e são hoje admirados pela audácia e perseverança 'a modalidade. Todos os "clássicos" são entrevistados, Lance Mountain, Stacy Peralta, Tony Alba, Tony Hawk, Russ Howell, Kevin Harris, Rodney Mullen, bem como Daewon Song, Bob Burnquist e Mike Vallely. Em vez de longas entrevistas aos skaters condensadas num livro, elas são antes organizadas por temas, reunindo as opiniões de cada um, proporcionando uma leitura muito excitante, bem como uma lição de história por quem o fez. O final do livro acaba numa reflexão dos anos 90 e o dominio que o street fez sobre as formas clássicas como o pool, vert ou freestyle. Também interessante é o video Live From Antartica da Heroin. Juntando vários skaters Ingleses e Japoneses maioritariamente, tem partes filmadas em todo o mundo. Obviamente que o nível não é o de uma companhia Americana, mas ganha bastante em personalidade, com os spots na Europa que nem sempre se vêm em videos. Com uma capa desenhada por James Jarvis.
Um conceito de Alan Freed, este Rock, Rock, Rock não é um filme, apenas uma mostra de um catálogo de artistas a cantarem. A história que tentam contar, de uma rapariga que quer um vestido para ir a um concerto de rock n roll, quase nem ocupa tempo nenhum, sendo uma sucessão de artistas dos anos 50 como Chuck Berry ou The Moonglows.
Sicko, mais um documentário de Michael Moore, desta vez a atacar o sistema de saúde Americano. Não me compete a mim fazer julgamentos acerca da generosidade ou caridade dos Americanos, mas por uma experiência próxima, estou a par de quem tem de lidar com este problema que ninguém no mundo devia ter de lidar, o de estar doente e isso ser um problema pessoal. O filme podia ser uma critica e servir o propósito de mostrar ao mundo que os Americanos permanecem perante uma injustiça, com tentativas falhadas de mudança, mas a mestria em que ele mostra outras realidades, faz com que seja uma crítica introvertida. Ao analisar os Canadianos e os estigmas, Moore vai longe, mas ao mostrar as realidades Francesa e Inglesa, com cidadãos Americanos a bradarem os sistemas de saúde nacionais, o ponto fica provado: a América, tal como em muitas outras coisas, está claramente em desvantagem.
Uma retrospectiva dirigida por Scorcese que tem Bob Dylan a relatar os seus passos desde o Minnesota até ao sucesso na era eléctrica dos anos sessenta. Com várias personalidades da época, bem como a constante ligação ao papel social do cantor, que ele tentava descartar, No Direction Home é bastante completo, sendo talvez até longo demais nesta versão em dois discos, não sendo preciso mostrar tanto da faceta de entrevistado complicado de Dylan. Fora isso, Scorcese junta várias imagens da época, tanto de concertos como de outros acontecimentos, numa homenagem justa a esta lenda Americana.
Esta obra colossal de 1959, dirigida por William Wyler é um épico em todos os sentidos. Ben Hur conta a história de um Judeu (Judah Ben Hur, claro está), que depois de confrontado por Massala, do lado Imperial Romano, acaba traído e enviado para um barco, sem saber se a sua mãe e irmã são mortas em consequência do caso em que ele foi incriminado. Acaba por cair nas boas graças do comandante do navio e é libertado, confrontando de novo Massala. Charlton Heston é fantástico, num filme que dura quase quatro horas, balançando entre a compaixão e a vingança. Felizmente que não haviam revolveres no Império Romano, ou o filme durava apenas 10 minutos. Neste episódio bíblico, o fim quase que compromete esta produção gigantesca, pois os pequenos suspiros que se ouviam de um tal de Belém que vai ser crucificado, dão origem aos milagres e delírios que já toda a gente sabe serem tão certos como o Benfica ser campeão na próxima época. Ao ver o filme, pensei que certas cenas, bem como a banda sonora, me pareciam muito semelhantes ao Star Wars, e a inspiração de George Lucas neste filme de 1956, afinal confirma-se segundo esta página.
Esta aventura conjunta de Dj Shadow com Cut Chemist teve transposição para DVD (com um CD bónus). Product Placement foi o nome dado 'a tour que os levou pelo mundo todo, e em vez de ser apenas uma gravação de um set, este lançamento tem imagens de seis datas da tour. Isso é possível dado que eles não estou a tocar de improviso, mas seguindo uma ordem já estruturada, apresentando o mesmo produto todas as noites, o que aqui é uma mais valia. Feito apenas com 45 rotações, este set versam sobretudo em funk dos anos setenta, incluindo algum rock e hip hop, mas aqui em minoria. Se com os close ups de camera podemos ver algumas habilidades da dupla mais de perto, a vertente visual é claramente suplantada pelo lado sonoro, pois são dois mestres a executar a sua arte ao vivo. Contém também alguns interlúdios, como eles a procurar vinys em lojas. Muito groove.
Honoré de Balzac tem a virtude de conseguir que este pequeno livro, Os Funcionários, com mais de 150 anos se mantenha tão actual, tendo em conta as mudanças que a sociedade faz numa década, quanto mais num século. Balzac discorre sobre o ridículo em que o funcionário se tornou, bem como a validade e variedade destes trabalhadores, que se assemelham com máquinas em vez de homens. Este trabalho repetitivo leva a que cada funcionário tenha outra ocupação, não os tornando nem assim mais interessantes, apenas braços do Estado. Fazendo uma análise cuidada, aliando humor, é um livro muito interessante.
Escrito quando Hemingway tinha apenas trinta anos, O Adeus 'As Armas relata a experiência da primeira guerra mundial que o escritor Americano viveu na primeira pessoa. Para além das descrições de guerra, o que prevalece acaba por ser a história de amor com Catherine, uma enfermeira com quem Henry pretende casar-se. Este, vê o amigo morrer numa explosão, ele próprio é ferido, perde um filho que nasce morto, e a mulher. Infelizmente, finaliza assim, sem se saber o desenvolvimento após a guerra, mas não deixa de ser um livro fascinante, com Henry, pouco interessado em algo, a perder tudo.
A edição da Relógio de Água com seis contos de Tchékhov é muito bem vinda. Traduzida por Nina e Filipe Guerra, mostra um escritor com uma voz ímpar, num estilo que mistura humor com tragédia, de uma forma acessível mas rebuscada.
As duas boas adaptações d'O Drácula de Bram Stoker chamam-se Nosferatu. A original, de F.W. Murnau é um clássico do expressionismo Alemão, realizado em 1922, e se esta é inovador nos planos e retém a glória de trazer a esta obra a publico, a versão de 1979 de Werner Herzog aumenta-lhe a grandeza. Sem cair nos trejeitos de filmes como a Criatura da Lagoa Negra ou A Mumia de Boris Karloff, é um filme realmente assustador, que dá outra dimensão ao livro de Stoker. Com grandes interpretações individuais, destaca-se Bruno Ganz no papel de Jonathan Harker. A história fá-lo ir aos montes Cárpatos vender uma casa na cidade, que no isolamento e contacto com o Drácula, acaba por servir de catalisador 'a peste negra, que dizima a pequena vila de Wismar. Se Murnau faz uso duma banda sonora hipnotizante para o filme mudo, no de Herzog os diálogos e vozes conferem ainda mais dramatismo.
Se em termos estéticos é irrepreensível, a história de Belleville Rendez-Vous tem várias falhas de guião e parece mal construída, aliada a uma fraca sonorização, sendo o filme de Sylvain Chomet um monólogo de um cão a arfar.
O Som e a Fúria de William Faulkner faz parte do programa escolar Americano, mas a tradução portuguesa é sofrível, tornando impossivel a leitura. É uma história contada de quatro formas diferentes, mas para ser honesto, nada é excitante em Faulkner. E começar o livro com um retardado mental a narrar uma história incompleta, não ajuda em nada. Por outro lado, parece que As Horas de Michael Cunningham é um bom livro, que até ganhou o Pulitzer. Parece que conta três histórias que misturam a América e Virginia Wolf. Parece que adjectivos não servem para o descrever. A mim parece-me sofrível.
As Perturbações do Pupilo Törless explora a vida num internato de quatro rapazes, os opressores, Beineberg e Reiting, que ao intimarem com Basini, mais frágil e dependente, se acham com uma autoridade moral para lhe ordenarem o que bem entendem. A personagem principal, Törless, vive então neste internato, no meio duma turma, quase como que espectador, pois assiste impávido a tudo, é condescendente, mas mantém uma opinião, que ao longo desta brilhante obra se vai acentuado nas suas manifestações, até que extravasa os limites do seu pensamento e alinha-se com Basini, na tentativa de compreender o enigma pessoal, o motivo de sentir misericórdia por Basini e nojo ao mesmo tempo pela sua submissão, e também o que move Basini. Entretanto, Törless cresce ao longo do livro, acabando como um homem confiante que enfrenta um auditório mais idoso, uma sombra do rapaz que tinha medo de viver no internato. Robert Musil é brilhante, somente isso.
Muito interessante o site Maps Of War, que através de simples animações gráficas mostra a evolução de vários conflitos. O primeiro, mostra a evolução dos impérios desde 3000 A.C. Outro muito interessante é aquele que retrata os avanços e recuos da II Guerra Mundial em pouco mais de um minuto, sendo muito util.
Por fim, fica aqui um para testarem sem ir ao site, que mostra a génese das religiões.
Seguindo o andamento de ontem, hoje foi a altura do Anna Karenina, também de 1997, ser visto. Uma adaptação do clássico de Leo Tolstoy por Bernard Rose, que segue a introdução de Anna (Sophie Marceau) no circulo social, ainda casada, até 'a sua trágica morte, abandonada pelo antigo amante. Os cenários de S. Petersburgo são sublimes, bem como a banda sonora que reaproveita peças de Tchaikovsky e Prokofiev, entre outros.
A adaptação de 1997 do fantástico Lolita, não tinha muito por onde falhar, dada a qualidade da matéria prima, executada por Nabokov. A história, uma queda anunciada recheada de fatalismos, onde o professor Humbert dialoga consigo próprio, antecedendo e explicando-se perante um juri imaginário, mostrando que existe uma natureza para a sua fixação numa menor de idade que acaba por ser ainda mais devassa e lhe escapa. Fantástica interpretação de Dominique Swain como Haze, 'a data apenas com dezassete anos, que num papel destas caracteristicas, mostra uma maturidade intimidante.
Do ano passado, Caramel é uma produção Libanesa que mostra a vida de cinco mulheres na capital, Beirut. Dirigido pela actriz principal Nadine Labak, vale apenas pela curiosidade, pois não inova em nada.
Esta(s) História(s) do Cinema de Jean Luc Godard, divididas em 8 partes, são um suplício de assistir. Sim, Godard fala de Howard Huges e Irving Thalberg, mas é tudo tão disconexo, e os efeitos "de vanguarda" que colam esta história soam tão datados e repetitivos que tiram qualquer prazer de ver este documento histórico. Pode ser muito completo em referências, mas de que serve isso se o produto final é pura e simplesmente desinteressante?
É o que posso dizer sobre este Murphy do Samuel Beckett. A linha narrativa segue variados trilhos, entrosando as personagens 'a volta de Murphy, acabando numa tragi-comédia. Laureado com o Nobel em 1969, este é um livro pesado, mas que agarra o leitor do principio ao fim. É o primeiro romance publicado de Beckett, onde cada linha é uma obra de arte, sendo Beckett um dos últimos modernistas. A vida de Murphy e as relações que se tecem 'a sua volta, criando admiração e carinho por tal personagem, acabam com a sua morte, indefinida como os jogos de xadrez entre Murphy e o paciente Mr Endon.
Nesta ultima edição da Everyman's Library, Animal Farm do George Orwell é apresentado luxuosamente, com os apêndices e introduções originais, bem como uma encadernação de capa dura esteticamente interessante. A história, é a de uma quinta que ao se insurgir, tem necessidade de eleger líderes, que como todos, são incapazes de lidar com o poder. Com patos, desconfiança e história.