Arte Conceptual, de Daniel Marzona traça a história de movimentos artísticos que despontaram no surrealismo, arte minimal e afins, e as preocupações de comercialização e estrutura em reacção aos clássicos e numa busca pela essência artística que partia pela redescoberta pessoal do que ela devia significar na perspectiva de cada artista.
Numa passagem pelo cubismo e construtivismo Russo que desmontaram, a par da politização do Dadaísmo 'a escala do global, o que se tinha como formas de arte, dando lugar a novas correntes de influências que brotaram dos dois lados do lado do Atlântico.
Obviamente que com todas as "personagens" de um movimento que não se quer um movimento, mas um conjunto de acções isoladas em busca de uma nova definição, torna-se difícil seleccionar um bom conjunto de artistas, mas apesar da mediania, o livro serve especialmente o propósito de divulgação de obras de uma vida, que pela persistência se tornam válidas. Destaca-se Stephen Kaltenbach, On Kawara e Sol Lewitt, apresentados por essa ordem.






A colecção Phaidon 55, dedicada 'a fotografia e altamente recomendada. Cada volume contém 5 livros de diferentes fotógrafos que se revelaram influentes quer como impulsionadores de um estilo ou como mestres na execução de diferentes técnicas. Cada livro, em formato de bolso, tem 55 imagens bem como uma detalhada análise e dados biográficos do fotógrafo.
Neste volume acima apresentado, que inclui várias épocas e envelopes sociais, destacam-se os dois seguintes.

Eugene Atget, Francês que cobriu Paris, especialmente reconhecido pela documentação das lojas e becos, muitos deles inexistentes nos dias de hoje.




Gustave Le Gray, começou como pintor, mas expandiu o conceito de fotografia e foi um dos impulsionadores desta como forma de arte legitima. O elevado nível técnico, bem como o aperfeiçoamento de técnicas de colagem, tirando o céu de uma fotografia para usar num fundo de mar fizeram dele um dos mais reconhecidos inovadores. Reconhecido pelos retratos, os ultimos anos de vida foram passados no Egipto, onde documentou os modos de vida locais.



Fur, uma história fantasiada que envolve Diane Arbus, a fotógrafa Americana que se tornou célebre pelos retratos de fracções "negativas" da sociedade, revestidos de enigmas. É um filme interessante, principalmente pelo papel de divulgação, já a história ascende a contornos esquizofrénicos e perde o fio da realidade, havendo pontos de contacto com o Elephant Man de David Lynch. Nicole Kidman em destaque, com uma leviandade e simplicidade notáveis, a exacerbar um certo alheamento próprio dos grande criadores.

Num mundo completamente 'aparte vive Paul Laffoley, arquitecto e desenhador, pensador e autista. Podem ser lidos os textos e biografia, bem como os desenhos interdisciplinares que ele faz.

Bem antes das alucinações de Lafolley, viveu o Veneziano Giambattista Piranesi. Partindo do património arquitectónico de Roma, onde viveu e morreu, desenvolveu um estilo apurado de desenho e gravuras.


Com igual distinção, mas bem mais detalhe nas ilustrações, foi Gustave Doré, um Francês que viveu no século XIX e se destacou pelas ilustrações literárias, desde A Tempestade de Shakespeare até D. Quixote de Cervantes.


Apresentando Mersault como um renegado, um homem que se exclui 'a margem da sociedade, Albert Camus tem a proeza de fazer com que as cem páginas deste "The Outsider" pareçam 40 bíblias. É um suplicio chegar ao fim, a história é banal, e nos dias actuais, o niilismo de Mersault seria o de uma celebridade, pois a sociedade fez entretanto danos bem maiores 'as pessoas. Aparentemente a personagem principal morre por ser verdadeiro, condenado num tribunal ainda mais entediante que o que eles são na realidade. Dispensável, banal.


La Vie En Rose, o biopic da Edith Piaf por Olivier Dahan vale principalmente pelo papel da Marion Cotillard. O argumento obviamente é negro, tingido pelo clima de doença e fragilidade da cantora, associado 'as dependências e tragédias que a envolveram desde sempre, no entanto está muito distante de outras obras como Ray (Ray Charles) ou Walk The Line (Johnny Cash), que contando igualmente com interpretações notáveis por parte do actor principal, oferecem mais em termos cinematográficos.

É possível ler n'A Trompa uma pequena entrevista que dei. Outras entrevistas podem ser encontradas no myspace.

Filme de Kubrick de 1963, Dr Strangelove : Or How I Learned To Stop Worrying And Love The Bomb, é uma sátira 'as premonições de guerra e 'as precauções que de nada servem quando os mecanismos de batalha são desencadeados. Um plano engendrado pelo Dr. Strangelove (Peter Sellers) com a ajuda de oficiais de guerra, põe o presidente Americano (também Peter Sellers) a desejar que os aviões que seguem em direcção 'as centrais nucleares soviéticas sejam abatidos. Com todos os cálculos e receios, acaba por sobressair a excentricidade e o ódio ao comunismo de Buck Turgidsson (George C. Scott), num papel notável como membro do conselho de guerra, mas que pensa apenas com o coração.
... abre os olhos e vê.

Um dos melhores filmes dos Irmãos Marx, não só em termos de piadas, mas em efeitos. Uma cacofonia de one liners misturados com os típicos diálogos em que exploram as fragilidades da língua Inglesa (que infelizmente se perdem na tradução). Rufus T. Firefly (Groucho), é eleito Presidente de um país chamado Freedonia, que Groucho almeja por em guerra a todo o custo.
Foi também um filme de mudança para os Irmãos, pois é o último com Zeppo, e depois de sair (não sendo um total desastre de bilheteira, também não foi um êxito, e não foi totalmente entendido pela critica), acabaram o contracto com a Paramount.
Um desvio ao estilo habitual das produções dos Irmãos Marx vem na musicalidade, não havendo os tradicionais solos de piano e harpa por Chico e Harpo, mas uma banda sonora composta e interpretada por todo o elenco.
A troca de cenas é notável, bem como o jogo de cameras e personalidades, iludindo o seguidor mais atento.

Seguindo este link, é possível ver na íntegra "Un Chien Andalou" de Luis Buñuel e do Salvador Dali, obra surrealista de 1929, que me despertou a curiosidade 'a vários anos para um tipo de cinema diferente.
De apenas 16 minutos, tempo que demora o intervalo de um jogo de futebol.

O livro em registo Gonzo do Hunter S. Thompson, que teve um filme genial dirigido pelo Terry Gilliam com o Johnny Depp no papel do Thompson e o Benicio Del Toro no papel do Samoano. Pelo filme ser tão fidedigno ao livro, a leitura deste é bastante agradável e hilariante, complementado pelas ilustrações do Ralph Steadman.
A viagem de um reporter (Thompson) que é enviado a Las Vegas para cobrir uma corrida de automóveis, acaba por se tornar uma viagem ao ciberespaço, dada a quantidade de substâncias ilegais ingeridas, tornado-se numa luta pelo controlo de uma decência perdida, onde Thompson tem de se manter atento aos desvios do advogado que o acompanha, igualmente alienado das estradas americanas. As pessoas que se cruzam com eles, levam a que eles alterem os planos e trabalhem no covil do lobo, uma convenção de policias que lutam contra estupefacientes. Imprescindível no século XXI.


É possível ler aqui na íntegra o artigo publicado hoje no suplemento The Observer Magazine que descreve a organização familiar na Islândia, e em como é o país que dá mais benefícios, tanto a mães como pais, bem como a educação e serviço de saúde que o Estado oferece, que tornam esta ilha num paraíso para se viver. Isto claro, se ignorarem terem apenas 270 mil compatriotas e o frio durante a maior parte do ano. Facilmente suportável.
Ficam aqui algumas páginas que eu tinha para ler.



Uma página que traça a evolução do homem de forma concisa mas bastante bem explicada.

Um compêndio das piores capas de discos.

Asatru é uma associação que pretende reerguer o espirito Europeu tradicional, com algumas ideias bem interessantes que deixo aqui.

The world is good. Prosperity is good. Life is good, and we should live it with joy and enthusiasm.

We are free to shape our lives to the extent allowed by our skill, courage, and might. There is no predestination, no fatalism, no limitations imposed by the will of any external deity.
We do not need salvation. All we need is the freedom to face our destiny with courage and honor.
We are connected to all our ancestors. They are a part of us. We in turn will be a part of our descendants.
We are also linked to all our living kin - to our families and to every man and woman rooted in the tribes of Europe. They are our "greater family."
We are connected to Nature and subject to its laws. The Holy Powers often express themselves in Nature's beauty and might.
We believe that morality does not depend on commandments, but rather arises from the dignity and honor of the noble-minded man and woman.
We do not fear the Holy Powers, or consider ourselves their slaves. On the contrary, we share community and fellowship with the Divine. The Holy Powers encourage us to grow and advance to higher levels.
We honor the Holy Powers under the names given them by our Germanic/Norse ancestors.
We practice Asatru by honoring the turning of the seasons…the ancestors…the Divine…and ourselves - in everyday life.
Asatru is about roots.
It's about connections.
It's about coming home.




Dentro da mesma temática, existe a Encyclopedia Mythica, tal como o nome indica serve para a mitologia, e apesar dessa ligação ir para a secção Norse, existem outras como a Grega ou Celta.

Por fim, o Rasterbator, que permite tratar facilmente as imagens de modo a que a impressão saia do modo que é possível ver em baixo.

Vale a pena ver este video do writer BLU.



Para além do óbvio valor histórico de um grupo capaz de atrocidades desmedidas, este filme vale por ser uma nova luz no último período do III Reich, e a constante preocupação com a morte por parte daqueles que viam vida para além da queda de Hitler. Bruno Ganz soberbo nesta película com pormenores notáveis, como por exemplo a cena em que vários membros das SS estão a demonstrar métodos de suicídio.

Esta colecção "Manucure - Diários" de Mario de Sá-Carneiro, trazida pela Alma Azul é o que os Ingleses chamam de pointless, 'a falta de palavra lusa mais indicada.
Se o conceito de diários de suicidas promete, não se concretiza, sendo não mais do que deambulações incongruentes, juvenis e irrelevantes, com um dramatismo pirosinho.
A primeira parte, Manucure, é bastante interessante, mas recomenda-se antes a obra Poemas do mestre Mário, mais trabalhada e extensa.

Retratando os Bichos sem limitações, ora sendo joviais, gozões ou sofredores, conscientes da sua decadência e do infortúnio que é ser bicho. É uma obra encantadora, onde o relógio só marca vidas e não segundos, a condescendência que não temos para com os bichos, a cumplicidade que eles distribuem entre si, tentando sobreviver ao grande opressor. Histórias de dignidade, bem transparente.

Obra surrealista de 1956 juntamente com outros escritos, este "Manual da Prestidigitação", foi editado pela Biblioteca Editores Independentes, um projecto de três editoras já aqui referido. Se a vertente poética é notável e carece profunda análise, contidos estão também capítulos que "não interessam ao menino Jesus", de Braga ou do Bonfim. A melhor parte serão mesmo as Burlescas Teóricas e Sentimentais.
Acrescento esta entrevista publicada pel'O Independente 'a 20 anos, que parece tão actual. Feita por dois rapazes chamados Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas.

Esta colecção de histórias unidas sobre "Um Bom Homem é Díficil de Encontrar" apresenta Flannery O'Connor em Português. Descrita pelo New York Review of Books como "a maior escritora Americana do século XX", as histórias aqui contadas são muito sulistas, e muito femininas. Passeando-se entre o real e o imaginário, pintando com cores de fantástico, Flannery O'Connor tem uma fluidez de escrita soberba, deliciando com pormenores e retoques finais nas histórias.

Como Torga disse, ele escrevia para quem não o podia ler, e estas histórias da ruralidade, do trabalho, dos defeitos que são também as graças e encanto do povo campestre, são uma soberba colecção de Portugal, onde um escritor tão dotado faz tão pouco esforço para se aproximar das raízes, tendo cravado estas linhas de tanta genuinidade, que só impregnado de uma humildade assaz, não se perde o propósito desta beleza. O dramatismo não esconde a humanidade de um povo sofredor, que espera um ano por uma festa que celebra a tristeza.


Eu costumo fazer sempre um trocadilho no título dos posts, mais ir hoje ver o Rza (como Bobby Digital) a apresentar material a solo e de Wu Tang, não pode ser para rodeios. Os adjectivos serão em torno de épico, lendário.

Autobiografia deste ensaísta do espaço global, começa por focar-se na sua paixão pelo cinema e na ligação que certos filmes tiveram a capítulos da vida. Existe uma grande carga negativa, com a morte do seu companheiro a pairar nas páginas que relatam as várias casas que teve em Itália, América do Sul e Estados Unidos, e do que significou depreender-se de cada uma delas.
Aparecem também descritos episódios do ensaísta com os Onassis, Greta Garbo, Nureyev, entre outros. Não tão celebrada como "Palimpsest - A Memoir", é ainda assim uma obra interessante, em tom paternalista.

Acabo de chegar de uma representação de O Rei Lear no Shakespeare Globe Theater, que estreou a temporada na passada Quarta-Feira. No fundo é um drama familiar do Rei Lear, que tem de dividir o reino pelas três filhas, dando a maior parcela aquela que o amar mais, e quando a elas se pede para lhe reconhecerem o seu amor e magnitude, uma desaponta-o, levando Lear a expulsá-la. Notável representação da condição humana, com humor e embuste, rebaixando Lear perante os poderes da natureza sobre a forma duma tempestade.

Estes Crimes do Acordeão de Annie Proulx, autora de Brokeback Mountain, estendem-se ao longo de quase quinhentas páginas. Se no início o ambiente de descoberta é envolvente, 'a medida que o acordeão passa de mão em mão, entre famílias de emigrantes de variados pontos do mundo, a fantasia perde-se. Nota-se que isto são histórias independentes, com o mesmo pano de fundo, aglutinadas pelo propósito do livro, mas o livro falha na longevidade e numa narrativa que acaba por se tornar pouco envolvente.
Para quem se quer iludir com esta América, recomenda-se antes a leitura de Carter Vence o Diabo, de Glen David Gold.



De acompanhamento, vá esta caixa Diggin' Deeper - Legendary Blues Treasures, dez albuns de blues segundo a velha escola, numa edição luxuosa.


Esta edição bastante cuidada da Collins Design, parte da Harper Collins, vem com uma capa e contracapa em cartão e desenhos de extrema qualidade. Relata a história dos bonecos de vinyl/designer desde as origens japonesas, até ao expoente Americano, para depois serem os EUA a influenciar os nipónicos.
Presentes estão alguns dos designers mais famosos como Bounty Hunter, Kaws, Tokidoki ou Baseman em cerca de 400 imagens, mas o que retira valor são os textos, pois não acrescentam nada. Foram convidadas várias personalidades para analisarem a história dos bonecos de designer, mas os textos são fraquíssimos.

Kaws Companion Dissected

Tokidoki Cactus

Baseman

Sendo alguns dos meus filmes predilectos Sleepers, O Padrinho ou Scarface, e um dos meus realizadores de eleição Scorcese, sempre adiei ver este Goodfellas, e devia ter mantido o meu "veto". Achei o filme muito fraco, sem profundidade, e tirando Joe Pesci, nenhuma prestação memorável. Não entendo assim como é o filme de eleição de tanta gente. Devo ser eu...


O nível técnico do filme pode ser muito bom, mas uma história como esta, com tantas referências e tantos anos de trabalho merecia muito mais. O inicio do filme, com toda a problemática da genética, as questões morais e étnicas é bastante interessante, mas ver duas horas e meia de filme, por uma boa meia hora, que nem se chega a concretizar, é frustrante. A partir do momento em que aparece Jude Law o filme torna-se trivial, entrando no fantástico duma "ciência" que se prevê exacta.
Já agora, como curiosidade, se cidades como NY foram inundados pelo derretimento do Pólo, porque é que no final nos encontramos numa idade do gelo com o fundo do oceano, onde David fica, completamente seco?
E uma outra, é o facto de Kubrick não ter concretizado este projecto, pois pretendia que David fosse na realidade um robot, tecnologia ainda não disponível.
Oportunidade de ir 'a National Gallery ontem, ficam aqui os que me marcaram mais.

Os Embaixadores de Holbein, aquele traço bege é uma caveira, que se desmitifica quando vista do lado direito.

Virgem nas Pedras de Leonardo da Vinci, magistral.

Virgem e o Menino com os Santos e Ofertas de Gerard David.

Salviati e os Três Santos de Canon Bernardijn, sobretudo pelas cores. O mendigo do lado esquerdo recebeu um casaco de Salviati.

De notar ainda a vivacidade da paleta de Raphael, os Rembrandts, a gelitude da Paisagem de Inverno de Caspar David Friedrich, e principalmente a variedade da obra de Peter Paul Rubens, ao longo de uma extensa galeria onde se destaca este Massacre dos Inocentes.


Sempre agradável de rever, La Haine de Mathieu Kassovitz, já com 13 anos. Rodado a preto e branco nos suburbios de Paris, conta a história de 3 amigos, Vincent, Said e Hubert, e explora a pobreza e a segregação, que ainda hoje estigmatizam as banlieues pobres. Cena clássica com o Cut Killer a usar o "Assassin la Police" enquanto o helicóptero sobrevoa o bairro, onde um Vincent Cassel estava ainda muito verde.