De 15, 20 e 25 minutos respectivamente, os filmes de João Salaviza foram editados conjuntamente.
Arena é o quarto de um rapaz em prisão domiciliária que faz tatuagens em si próprio para passar o tempo. É assaltado e espancado por uns miúdos insatisfeitos com o trabalho que fez num deles. As cenas em que ele os reencontra são filmadas em ângulos muito bons, de vistoso efeito e o melhor e mais cativante.
Cerro Negro é sobre imigrantes, o pai na prisão e a mãe a trabalhar até de manhã, a criança a crescer sozinha enquanto a mãe visita a prisão, também sozinha. Vê-se a solidão em cada um, à vez, com o pai a sofrer dentro das grades.
Rafa tem a mãe na polícia e vai de mota para Lisboa durante a madrugada para a ir buscar à prisão depois de ela ter espatifado o carro do namorado. Apesar de ser feito com mais meios e experiência, achei o mais desinteressantes dos
Três.
São curtas, o que a mim não me diz muito, mas bem feitas. Como temas agregadores: situações de precariedade em bairros sociais, os jovens homens com condicionantes à liberdade e actores com bons desempenhos.
23:46 |
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Sendo um admirador confesso de Sacha Baron-Cohen, até pela oposição da sua personagem real e em cena, aguardava
O Ditador desde as primeiras imagens que apareceram, com as devidas expectativas. No primeiro filme com guião desde Ali-G, sem as situações provocadas dos filmes anteriores, que tentavam levar até ao limite a expectativa da reacção dos intervenientes de acordo com as situações em que eram postos, este é um bom filme de comédia para a era moderna. Não se possa dizer que é realmente inteligente, no campo de uns Irmãos Marx ou Buster Keaton, mas é físico, e funciona. Sem ser nenhum portento, é um valor seguro.
17:18 |
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No bairro Geylang em Singapura onde bordéis e locais de culto convivem no mesmo espaço urbano, várias histórias confluem num misto de documentário e ficção.
Pleasure Factory de 2007, realizado por Ekachai Uekrongtham, apesar da inovação de destacar temas como a prostituição e relações homossexuais, pouco comuns no cinema asiático, é bastante entediante, com latentes quebras de ritmo. A última cena é bonita, no entanto.
17:11 |
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O registo da exposição de Paulo Nozolino em 2005 em Serralves,
Far Cry, vem com dois textos de anexo e uma bibliografia do fotógrafo, que se cinge ao preto e branco, com tudo muito sombria e apesar dos detalhes, pouco contraste. Tiradas por todo o mundo em diferentes espaços públicos, o livro reúne diferentes períodos do seu trabalho.
05:38 |
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Esta entrada era para algo mais pessoal. O meu livro
Slaughter/Memória está agora disponível juntamente com um livro de fotografia e duas zines de oferta na loja em
organicanagram.com/
Recentemente também escrevi a minha primeira capa para uma revista nacional. Agora estou ocupado com outros projectos, mas em breve vou voltar a escrever algo mais sério.
Queria pedir uma coisa aos leitores deste blog. Se tiverem a possibilidade de me arranjar algo sério relativamente a workshops, conferências, aparições, Q&As, o que quer que seja, peçam-me o CV e vamos tentar facilitar algo. Tudo o que esteja relacionado com arte, design (posso enviar o que for preciso sobre os temas em que me especializo), literatura, falar sobre a minha marca, sobre o que escrevo, eu estou disponível, qualquer que seja a audiência, desde crianças a precisarem de ser motivadas a grupos de estudantes superiores. O email é anagramorganic [at] gmail.com, por isso é só entrarem em contacto. Qualquer outro tipo de proposta que envolva escrever, também agradeço!

Por fim, quem quiser aparecer no dia 18 de Maio na Faculdade de Belas Artes do Porto, vai haver uma Feira da Publicação Independente, e uma das bancas vai ser das Organic Anagram Industries.
16:00 |
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Com mais de uma década em cima,
On The Way To Work é um livro fundamental para compreender o entrevistado, Damien Hirst, e o negócio/conceito da arte contemporânea no novo milénio. Sempre desconheci da existência deste livro de entrevistas de Gordon Burn ao artista Inglês, mas após folheá-lo, e surpreendido por um preço irrisório, percebi que era algo que me ia entreter. E é esse o elemento central destas doze entrevistas. Se os conceitos de morte e decadência são o que mais facilmente extravasa das obras de Hirst, a sua aproximação teórica assenta na diversão e numa jovial disposição para encarar os números que lhe surgem embutidos. A personalidade de Hirst leva a que de tempos a tempos se deixe assomar pela necessidade de chocar e ofender, ainda assim, depois de ler os seus argumentos ao longo de um livro tão extenso, que cobre vários anos da sua ascensão (1992 a 2000), é difícil não querer acreditar nas ideias que ele vende. E há o querer, e é inegável que o controlo que ele exerce sobre o mercado se destina ao processo de venda. Mas isso é assumido, e nesse objectivo sincero há tanta beleza poética como há vida nas suas obras como
A Thousand Years ou
Away From The Flock. A vida esteve lá, os títulos são magníficos, e o que os nossos olhos vêm (neste caso, lêem), inspiram o leitor e levam-no a olhar para si e a crer fazer melhor.
Alguns dos temas são a admiração de Hirst por Francis Bacon, as suas exposições colectivas iniciais, o crescer em Leeds, a fama e dinheiro, Charles Saatchi e artistas da sua época. Há várias contradições, mas a forma destemida como se entrega a cada explicação é impressionante, e o melhor são mesmo as suas opiniões sobre a arte que ele próprio faz. Lê-lo a falar sobre as Dot Paintings só pode fazer o leitor acreditar que sim, aquilo é efectivamente uma fórmula soberba que merece ser continuamente explorada. E é nessa venda de ideias que se acaba de ler um livro cuidado, com uma apresentação fantástica, pronta a figurar em galerias e museus de todo o mundo, com a sensação que esse é um dos objectos mais pessoais, com que se pode dialogar.
16:30 |
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Escrito a partir do contacto de um professor de economia com o mercado da arte, principalmente das feiras e dos leilões,
The $12 Million Stuffed Shark parte de uma posição humilde em questionar muitos dos negócios de quadros, esculturas e instalações que se fazem no mercado de arte moderna. Por vezes falta alguma fluidez ao texto, mas o raciocínio é perceptível ao longo dos diferentes capítulos em que Don Thompson relata mitos das salas de leilões, passa informação sobre vendas entre-portas e explora os meandros dos negócios das galerias, agentes e artistas. Há uma vertente de economia, há outra de psicologia, mas no meio de tantos comportamentos que não parecem ter nexo, mesmo o leitor mais afastado da arte, consegue perceber o desejo e sentimento que algumas obras de arte exprimem, ao ponto de fazer os coleccionadores gastar sucessivamente mais dinheiro no mesmo artista. O principal conceito, é o de criação de uma marca que venda, seja o nome do artista, seja um valor acrescentado a um quadro por ser vendido por determinada leiloeira, por ser perseguido por algum museu, ou por já ter pertencido a algum coleccionador, prova que no meio de todo o abstraccionismo, são as relações humanas o que ainda mais importa.
Thompson deixa-se fascinar por muitos dos mitos que abundam na arte moderna, no entanto, o livro contém bastante informação, e eu recomendava-o, ainda que com alguma cautela no seu todo, a quem se interesse pelos números por trás do mercado secundário de arte.
15:30 |
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Art & Sole, para além de um título muito bom, dá o nome a um projecto muito interessante, que explora um cruzamento dos ténis e da arte sobre a qual é difícil encontrar informação concreta. Esta edição de bolso mantém o conteúdo do original de 2008, totalmente desenhado e arranjado pela Intercity, onde em 240 páginas se destacam principalmente as colaborações das marcas de ténis com artistas, mas também outros elementos como a influência destes no trabalho de alguns artistas contemporâneos. Tudo bem montado, óptimas imagens e bons textos, em suma, essencial para qualquer biblioteca sobre streetwear ou arte contemporânea.
15:30 |
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No seguimento
destes dois livros, mas com melhor apresentação,
Be The Worst You Can Be tem Charles Saatchi a responder a várias dezenas de perguntas enviadas por leitores. Confesso que para mim é uma relação de amor-ódio. Não pelos motivos habituais que a personalidade dele desperta, mas porque acredito que ele realmente consegue ser inteligente e engraçado, mas convence-se a si próprio que por vezes é demasiado trabalhoso fazer algo. As perguntas vão desde as informações sobre arte e a personalidade dele, até questões abstractas que procuram uma resposta filosófica, mas raramente a encontram. De uma figura realmente especial, mas inconstante, o que é pena.
15:00 |
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Nunca escrevo aqui sobre revistas, no entanto este número da Germânica Mono Kultur dedicado a
Chris Ware é mais entre o folheto e a monografia do que uma revista. Excelente apresentação, incluindo a maneira como é desdobrável, diferentes extractos do trabalho do cartoonista ao longo dos anos e uma entrevista por Urs Bellermann. É absolutamente digno do primor das edições do próprio Chris Ware, e só isso atesta a qualidade do producto final.
15:00 |
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Lançado em 2011,
Being Elmo A Puppeteer's Journey é sobre a personagem dos marretas e o homem por trás dele actualmente, Kevin Clash. O trajecto da vida dele levou-o a um trabalho para o qual é difícil alguém preparar-se, no entanto, no caso de Clash, parece natural ter sido esse o seu destino.
A mistura de raças dos habitantes na Rua Sésamo e o encanto das personagens maravilhou-o e ele começou a fazer as suas próprias marionetas. O espectador aprende sobre a manufactura dos bonecos, os exercícios para preparar os movimentos, as audições e testemunha o sucesso do boneco do Elmo. Kevin conhece presidentes, tem de lidar com a morte do criador dos Marretas e continuar com o resto da equipa a representar o seu legado. É uma história bonita, com um transmissor à altura, de dedicação a uma obsessão de criança.
14:40 |
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Na era do presidente Bush, um trapaceiro que chegou muito perto dos governantes mais altos da América, pode ser um exemplo exótico ou um exemplo do que o sistema permite. O acesso à influência depende de dinheiro, e Jack Abramoff, que nasceu em 1959 e converteu-se ao Judaismo como rebelião aos pais, conseguiu-o. O espectador vê o percurso de Jack nas diversas associações políticas desde os tempos da universidade, até se tornar no que os colegas definem como um lobbyista. A aventura de
Casino Jack And The United States of Money não se restringe ao país, pois ele produziu um filme, envolveu-se na questão Angolana com Savimbi, fábricas nas ilhas Marianas com empregados presos por contratos e senadores Americanos a irem lá pagos para verem que não havia nada, os casinos dos Índios,
limites das campanhas deles e dos amigos, os restaurantes que geria em que continuava a fazer política, entre outras coisas. O fim, é incrivelmente justo. Acabaram por ir todos presos com penas curtas, e o documentário, apesar de bem realizado, não tem um bom desenvolvimento da história, é mais uma exposição de factos que outra coisa.
14:30 |
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Como todos os livros que se dedicam a analisar um tema tão largo como os autocolantes de marcas de skate ao longo de décadas,
Skateboard Stickers tem alguma informação útil, e contraria as expectativas dos leitores que procuram ali uma validação ao seu próprio conhecimento, e só vêm as falhas. No entanto, o livro de Mark Munson e Steve Cardwell tem, ao longo de 140 páginas, muitos estilos cobertos, movimentos, algumas colecções particulares, histórias sobre quem estava por trás das ideias e claro, muitas imagens.
14:30 |
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Primeira vez em muitos, muitos anos, que vi uma sala de cinema cheia. Movidos pelo valor nostálgico mas com as devidas distâncias, o que se buscava era entretenimento, e foi isso que se conseguiu com
American Pie: Reunion. Podia dizer que era bastante mau, mas se fosse diferente do que é, não era tão bom.
05:42 |
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I Hate, subtítulo
The Art of Tod Bratrud reúne um conjunto de ilustrações do artista responsável por algumas das tábuas mais icónicas de marcas de skate como Consolidated, Flip, Enjoi ou Creature. É num formato conciso, muito bem apresentado, e com poucas palavras, e imagens de muito boa resolução. Mais um a acrescentar a quem construa uma biblioteca de livros de skate.
03:21 |
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Já
tinha visto este filme, sem lhe dedicar a devida atenção. Uma experiência algo exagerada traduziu-se numa nova apreciação por
Enter The Void de Gaspar Noé. Se a temática só me causa repugnação, acho que acertei na combinação ideal para o poder apreciar: a melhor companhia, e a testar os limites da tolerância, vê-lo num cinema depois da meia-noite e depois de ver outro filme longo. Não é algo que planeie repetir (tirando a companhia, claro), mas é uma experiência que me vai ficar para sempre marcada. Desde o já referido genérico, até ao arrastar das cenas finais, é realmente uma obra única.
03:16 |
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Do Britânico Steve McQueen,
Shame é sobre a relação de Brandon (Michael Fassbender, óptimo) com as mulheres, que ele vê como objecto, incluíndo a irmã (Carey Mulligan). Vivendo na ambiguidade de ser vítima ou o agressor, a sua posição no mundo está indefinida, sendo ele quem mais sofre com isso. Estéticamente é muito bem conseguido, a nível de argumento a referência óbvia é American Psycho, e se é um filme muito explícito, deve-o à entrega de Fassbender, aos silêncios e à cidade.
03:02 |
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Não que tenha iludido alguém, mas
Despertar das Trevas é aquilo que parece. Claro que só cai na esparrela quem quer, mas eu fi-lo de bom grado. Apesar de alguns momentos prometedores, o estilo neo-documentalista acaba por cair nos mesmo buracos que os filmes que copia já não foram bem sucedidos. Passado principalmente em Itália, é a busca de uma filha pela alma da mãe, possuída por algum demónio, com a ajuda de dois padres aplicados e convencidos dos poderes do exorcismo. O que funciona ou deixa de funcionar é irrelevante, porque o filme simplesmente acaba, sem mais nem menos. E dito isto, fico sem vontade de escrever mais.
03:24 |
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Um filme de família com um animal no centro da história não é a premissa mais apetecível, mas
War Horse, de Steven Spielberg, consegue ser um filme bastante interessante, até com alguns momentos mais melosos de cinema comercial. O cavalo vai passando de mão em mão, com a guerra com elemento motivador, e como cenário, e todas as pessoas que tomam contacto com ele, cuidam-no, até o destino o levar de volta ao primeiro que lhe mostrou carinho. É uma história engraçada, para um público mais velho e com outras ambições que os leitores deste blog, no entanto, não deixa de valer a pena visualizá-lo.
21:44 |
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Tendo nascido em Paris, Vahram Muratyan mudou-se durante uns meses para Nova Iorque para viver uma experiência diferente, e em paralelo ao trabalho como designer gráfico, começou um blog que opunha duas situações similares em cada uma das capitais. O livro que daí resulta é um olhar pormenorizado ao que caracteriza as cidades, muitas vezes mostrando as oposições, noutras, as equivalências. As ilustrações são minimais, mas revelam um olhar muito atento aos detalhes que tanto fazem rir como nos surpreendem por serem tão óbvios que nem reparamos neles.
Paris versus New York resulta muito bem em livro e serve como entretenimento e referência futura.
21:35 |
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Parte catálogo de uma exposição, parte portfolio dos artistas que representam,
Over It & Co - Volume One foi editado por uma agência e é o primeiro livro lançado, como o nome indica. Limitado a cem cópias, o conteúdo é preenchido por oito artistas, que vão da ilustração até colagens e tatuagens.
21:23 |
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O Artista é uma história triste, como o cinema mudo parece ser relembrado. Mas tal como nos filmes dessa época, pré-modernistas, o final tinha de ser esperançoso e deixar a audiência bem-disposta, que entrava no cinema para ver entretenimento, e saía contente ao ver arte, ou seja, o inverso de hoje em dia. Jean Dujardin, o melhor jogo de sobrancelhas desde que o Faroeste viu o vapor esvair-se, é um actor famoso e admirado, de quem toda a gente quer um pedaço, incluindo uma jovem que acaba por escalar na ordem do estúdio de filmagens, até se sobrepor ao artista, agora caído em desgraça. Até aqui nada de novo. E até ao fim também não. Mas é bonito, é uma boa experiência ver um filme com outro ritmo. Eu sou um confesso amante dos filmes mudos, por isso é difícil ficar rendido a cem por cento, no entanto, é claro que é superior a 90% do que se faz hoje em dia, sendo um filme Francês de Michel Hazanavicius, rodado em Hollywood ao lado dos blockbusters.
É bom, é refrescante, mas é pálido em comparação com o colorido de muitos dos filmes que busca refrescar passados quase cem anos.
22:08 |
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Para começar,
Hugo é visualmente magnífico. Scorsese arranca o melhor uso do 3D, e a história está bem adaptada. Todo aquele mundo que parece surgir nos primeiros minutos, desaparece, para ser depois acerca de seis personagens, sendo o mundo em redor sem personalidade, cujo passado e futuro projecta ansiedade num autómato.
Claro que muitas das coisas com que tomamos contacto são minadas pelas expectativas, e eu julgava que as referências ao cinema inicial iam ser mais fortes, e esperava uma maior interligação entre as referências ao tempo e à profissão de Hugo. O grande contra do filme para mim, é ter
uma das pessoas que eu mais odeio no filme, o tipo que corrigiu uma jornalista e enviou cartas aos amigos para passarem a tratá-lo por Sir Ben. Para quem é tão orgulhoso, até mudou o nome Indiano com que nasceu. Mas isto são coisas que eu posso dizer num blog pessoal.
Que isso não retire valor à adaptação do filme, que nesse valor, é muito bem conseguido. Uma curiosidade que vi, nos minutos iniciais, James Joyce aparece sentado num café ao lado de Dalí.
21:23 |
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Num mundo onde as pessoas pagam tudo com tempo,
In Time é um conceito interessante, mas o filme é sem sal e sem personalidade, se é que isso é compreensível. Faltam-lhe condimentos.
21:21 |
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Das pessoas por trás de Paranormal Activity e Saw,
Insiduous é igualmente chato. Um filho está em coma com a alma noutra dimensão e os pais tentam salvá-lo, é tão desinteressante como parece.
21:17 |
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De Jerzy Skolimowski,
Essential Killing tem Vincent Gallo como um soldado que é apanhado no deserto após atacar três soldados, e é levado para uma base secreta, onde é submetido a torturas, o que é contraste com o silêncio que impera no filme. Já na Polónia, terreno que ele desconhece, consegue escapulir-se e tenta sobreviver a todos os perigos e pessoas que encontra. Decente, boa fotografia e montagem.
21:12 |
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Como Não Escrever Um Romance é um livro de humor/didático, que fazendo piadas, ensina realmente. Os erros mais comuns e os que podem ser cometidos por quem quer assemelhar-se mas lhe falta a bagagem, são dados através de exemplos de prosa mal escritos, para depois serem explicados. Os clichés vão desde o nome a evitar para os gatos das personagens, até à forma de abordar um editor, passando pelas maneiras erradas de descrever uma cena ou o passado de uma personagem. Mesmo para quem não tenha intenções de escrever, ajuda a compreender alguns erros elementares em que um tipo de escrita ligeira pode cair, fazendo uso de elementos cómicos pelo exagero.
21:06 |
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Nanni Moretti consegue prestar um serviço à igreja, que sai com uma bela luz reflectida sobre ela neste filme sobre a sucessão após a morte de um Papa. O candidato eleito, por entre os cardeais seleccionados que não querem a responsabilidade, acaba por não estar à altura dos céus, sendo mais terreno nas suas aspirações. Entra um psiquiatra pelo colégio dos cardeais, Moretti, que tenta primeiro compreender o eleito, mas que depois tem de entreter os cardeais, enquanto o Papa anda desaparecido.
Habemus Papam só podia ser Italiano, com o ambiente e boa disposição que eu cresci a admirar e para o qual vou ter sempre tempo.
06:21 |
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Documentário de Michael Rapaport sobre o grupo de hip hop,
Beats, Rhymes and Life - The Travels Of A Tribe Called Quest tem música original de Madlib, e claro, muitas músicas da carreira dos ATCQ. O cansaço de alguns dos quatro membros da música é o ponto de partida para revisitar a maneira como cada um tomou contacto com o hip hop, e depois se começarem a juntar para tentar fazer algo. Tem entrevistas exclusivas para o documentário, mas também muitas imagens de arquivo, ficando uma luz positiva da estranheza que transpirava das roupas e atitude do grupo que encontrou paralelo nos De La Soul. Outra era também, no fim dos anos 80, inicio dos anos 90, onde havia a necessidade de divertir com o hip hop, mas com alguma consciência
os problemas de cada um, auxiliados de samples de jazz e soul. O final é algo manchado pela parte mais agridoce da reunião dez anos depois do fim em 1998, com os problemas de saúde de Phife. Quanto ao documentário, nada a apontar, e é uma boa homenagem.
06:08 |
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Adaptação de Fabio de Agostini do livro de Bertha Uhland,
Red Nights Of The Gestapo é um filme de 1977, em que um conjunto de Alemães planeia negociar a paz com os Ingleses em vez de apoiar Hitler, mas o coronel encarregue de os vigiar contrata mulheres para seduzir os traidores. A história tem antecedentes reais, pois em 1941, Rudolf Hess, o secretário do partido Nazi, voa para Inglaterra para tentar um acordo de paz, ao mesmo tempo que se tentava o assassínio de Hitler.
No filme, a mulher ocupa uma posição central pois tem a chave da solução, ao mesmo tempo que seduzem toda a gente. O uso de Inglês em cima das interpretações é dúbio, mas é um filme com uma estética muito própria. Como o nome indica, é sobre as movimentações no partido Nazi, com umas partes eróticas à mistura, sendo um filme bastante estranho, mas curioso.
06:02 |
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Apesar de ter sido lançado em 2008, as aventuras deste documentário do artista David Choe continuam a subir na escala. A fama dele deve-se tanto ao pagamento pelas acções do Facebook (que o tornam o artista mais bem pago de sempre), ao vício do jogo (vive em Las Vegas nos dias de hoje), como ao talento para a arte, em que ele tem total confiança. Em
Dirty Hands - The Art & Crimes of David Choe anda por África a desbravar mato, vai pintando e convivendo com os indígenas, passando a cena depois para Los Angeles, onde outros artistas dão a opinião sobre ele, geralmente com histórias mais estranhas. O passado familiar, a paixão pela bateria e por roubar, o ódio pela escola, a prisão no Japão, as dificuldades em agradar à namorada são alguns dos temas abordados. Podia ser mais bem montado, com mais tempo para gravar outras coisas, mas é relevante.
05:52 |
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Um General Manager de uma equipa de baseball que vê constantemente roubados os seus melhores talentos, tem de procurar uma alternativa numa liga que é injusta e não protege os clubes mais pequenos da competição. Um jovem licenciado obcecado com estatística tem a chave, estando tudo nos números e no que cada jogador é capaz de fazer com o seu desempenho, em vez do preço da sua reputação. Alguns jogadores são dispensados, outros vêm a carreira ressurgir, tudo em prol da equipa. O talento de Brad Pitt e da personagem que o inspirou levam a que seja chamado pelos Red Sox, rejeitando a oferta milionária, mas estabelecendo uma nova alternativa que trouxesse sucesso à equipa, chamada
Moneyball.
05:47 |
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Narrado por Jeff Bridges,
The Cool School é em documentário sobre arte, onde não há uma conclusão. O foco é em Los Angeles, em oposição a Nova Iorque como centro da arte Americana, onde um grupo de artistas ignorou a história da arte e se fixou na costa Oeste. Alguns dos nomes envolvidos são Robert Irwin, John Baldessari, David Lafaile, Ed Ruscha, Robert Irwin, John Mason, Larry Bell, Dennis Hopper e Frank Gehry, com o propósito de ter uma ambição cultural depois do expressionismo abstracto. Arte moderna era obscena e comunista para eles, e grande parte da aproximação passa por singularizar elementos da pintura, que ou acrescenta a ela, ou retira coisas. A restrospectiva de Marcel Duchamp em Pasadena por Walter Hopps é um dos pontos centrais na criação de uma nova cidade da arte, bem como o envolvimento de Irving Blum, também da Ferus Gallery.
05:45 |
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Documentário do ano passado, rodado após os sete meses como apresentador do Tonight Show. A Conan O'Brien foi oferecido um novo horário depois da meia noite, para voltar a acomodar Jay Leno no horário anterior. Depois da indemnização, Conan não podia aparecer nos meios de comunicação durante meio ano, então começou uma digressão pelos Estados Unidos com 44 espectáculos ao vivo.
Conan O'Brien Can't Stop começa com os ensaios das músicas e do resto do espectáculo, até que passa a imagens de algumas das datas. É um trabalho cansativo, mas é engraçado de ver a maneira como ele interage com toda a gente que o rodeia.
04:08 |
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Escrito por Samuel Beckett e com Buster Keaton,
Film é um filme mudo de curta duração, a preto e branco.
Um homem aterrador que corre ao longo de um muro, entra num prédio e fecha-se dentro de um andar quase vazio, com uns animais pequenos e as paredes baleadas. Tapa o espelho e tenta que não o vejam da rua, expulsando os animais, que tentam sempre regressar, ficando o espelho destapado, e ele rasga uma figura desenhada. Keaton contempla o espaço vazio e remexe num envelope com fotografias suas, que rasga, uma por uma. Com as memórias apagadas, o espelho encoberto, e todos os objectos tapados, ele olha em frente para a câmara, ele próprio, e assusta-se com a figura. A câmera é quase uma personagem, num exercício muito curioso.
04:06 |
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