Um remake de 2007 feito por Rob Zombie, Halloween é onde Michael Myers, depois de 17 anos preso numa instituição mental, vai em busca da irmã mais nova, semeando o terror por onde passa. Não é nenhuma obra prima, mas é suficiente emocionante e consegue prender a atenção.

Realizado por John Huston, The Man Who Would Be King é uma adaptação da pequena história de Rudyard Kipling com o mesmo nome, onde dois soldados do exército Indiano acabam como reis numa terra longínqua. O tipo de fotografia usado é hoje muito fora de moda, mas até é um filme bem conseguido, dentro do que era feito na época.

Cada episódio de South Park é escrito e gravado em seis dias, e é um desses processos de criação que é registado em The Making of South Park - 6 Days To Air. É igualmente feito com poucos artifícios, ainda que concedendo um olhar sobre os bastidores.

Nada de novo desta parelha autor/editora, Short Movies são esboços que nunca mereciam ser publicados. São assim postos na rua, e engrossam uma obra que se encherá de superlativos em tempo de ponderação (setecentos livros em vinte anos! Magnífico!). Sessenta histórias em 150 páginas, e com letra enorme, a malandrice do costume. De acordo com o nome, pequenas histórias com uma linguagem visual e descritiva de uma cena de um filme que não durará cinco segundos.

D'O Meu Pipi, Sermões é um regresso, oito anos depois do primeiro livro. No fundo, conversa fiada com asneirada pelo meio, que enrola e não dá em nada, nem tendo a graça do primeiro livro, apesar da inspiração curiosa.

Do ano transacto, Bobby Fischer Against The World é um documentário sobre o brilhante jogador de xadrez com a personalidade que lhe deu tanta fama como as capacidades no tabuleiro, que não era filho de um Fischer e só o soube quando o pai biológico morreu. Fischer é retratado como um homem isolado, chamado de arrogante e infantil, mas dedicado ao xadrez. Enquanto jovem, foi admirado pela sua inteligência, até pela dimensão política dos jogos contra os Russos, Fischer representava não só o seu jogo, mas o mundo ocidental, e a pressão afectou-o.
Em criança chegou a ir numa digressão e a jogar contra 40 pessoas ao mesmo tempo, ganhando a todas. Essa é a verdadeira dimensão de Fischer. O foco principal do documentário é a Partida do Século, com Spassky, e depois os seus problemas psicológicos, perseguido pelos Estados Unidos. Apesar das muitas recusas e cancelamentos, ele ganhou todas as partidas e torneios em que entrou depois dos 23 anos, e pôs o xadrez na primeira página dos jornais. O seu aspecto mais controverso, advém de apesar da mãe ser Judia, ele odiar esse passado, e os seus comentários a Israel serem carregados de ódio, bem com aos Judeus que controlavam os EUA. Fischer dizia que em vez de ser um génio do xadrez, era um génio que jogava xadrez. Se ficou perdido ou se era ele que tinha razão, é incerto, mas que foi um ser brilhante, que felizmente pôde viver os últimos dias em paz na Islândia, depois da perseguição que os EUA lhe fizeram, levando-o a viver no Sudeste Asiático.

Uma família muda-se para uma casa onde todos os anteriores donos pereceram, e nessa American Horror Story , as personagens com que se cruzam na casa e no bairro tanto podem ser vizinhos como fantasmas que só eles vêm. O que parecem ser visitantes não-desejados da casa, acabam por estar todos ligados a esta, em busca da felicidade.
É uma série muito bem escrita, com um desenvolvimento interessante, bem como pormenores violentos que irão satisfazer um outro tipo de audiência, mantendo o apelo familiar de uma grande série de ficção.

Rising Son - The Legend Of Skateboarder Christian Hosoi
No seguimento de Stoked e The Man Who Souled The World, Rising Son é também sobre uma das figuras mais marcantes do skate e da sua explosão mediática. Figura de proa de um movimento de um movimento que explorava a imagem, mas que maltratava as suas figuras quando atingiam um estatuto mediático, Hosoi foi também vítima das pressões e drogas. Neste documentário, com muitos testemunhos de personalidades relevantes para o skate dos anos 80, a vida familiar, a ascensão no início dos anos 80, o dinheiro, os excessos que o levaram à prisão por drogas e por fim, a acreditar em Deus, e a resolver ter uma vida mais calma, com uma mulher cá fora. Tal como os dois documentários referidos acima, fundamental a quem se interessar pelo tema.

O regresso de David Cronenberg com Um Método Perigoso foi arriscado, sendo uma interessante exercício de ficção, mas com pouco de verdade. Baseado numa peça, tem Carl Jung e Sigmund Freud como as figuras masculinas. O primeiro, aceita trabalhar com uma Russa, Sabina Spielrein, na tentativa de a recuperar, ora utilizando, ora rivalizando, ora suplantando os métodos de Freud. Acaba por se tornar sua amante, e de se afastar de Freud, numa relação algo distorcida do que terá sido a realidade. Ainda assim, um apontamento aos sotaques estranhos empregues (uma Inglesa a fazer de Russa usa sotaque Americano, enquanto que um Americano, a fazer de Austríaco, faz sotaque Inglês?), bem como a péssima tradução Portuguesa, com erros de tradução praticamente de três em três falas.

Bastante comentado, Sangue Do Meu Sangue de João Canijo é sobre uma família Portuguesa na tradição da Zona J/Pedro Costa, que parece ser onde começa e acaba qualquer tipo de família Portuguesa. Desempregados, malcriados, maus casamentos, maus relacionamentos, desencadeiam uma filha metida com um professor casado, que é um caso clássico de deslumbramento, leva a mãe a querer desmanchar esse arranjo. O problema é que ela está grávida, e ele é o pai dela. É um filme curiosp, mas não é o que fazem dele, com pouco movimento no fundo, ficando as histórias no ar.

Will Ferrel como Ron Burgundy, um repórter em San Diego com queda para o álcool mas extremamente popular, tem uma intromissão. Uma mulher entra para o departamento e apaixona-se por Burgundy. Para chatice dos colegas, passa a ser a co-apresentadora. Ele sente-se ameaçado e com as coisas que faz, vira o público contra ele e é despedido. Anchorman é bastante engraçado e com boas piadas e actuações.

College Conspiracy é um documentário muito relevante, com um assunto fulcral nos tempos modernos. Parte da premissa que as escolas destroem a criatividade, e de que a ideia que é constantemente vendida de que o único modo de atingir o sonho Americano, é indo à universidade, é falsa.
O preço dos livros, das propinas, pesa em muito, num negócio em que os administradores ganharem rios de dinheiro em vez de se preocuparem com os estudantes. Isto num sistema sem liberdade onde se é obrigado a pensar de certa maneira. Paralelamente, o esquema de empréstimos, por já ninguém conseguir pagar a universidade aos filhos, é exposto, tendo um total de dívidas maior do que a dos cartões de crédito nos EUA, num clima em que, mesmo não havendo trabalho, é preciso pagar os empréstimos. Ao mesmo tempo, outras facetas do negócio amontoam-se, como o dinheiro empregue nos desportos universitários, ao invés dos cursos. Os custos deste, aumentam, mas o valor deles na sociedade diminui, sendo que os licenciados já não ganham mais do que aqueles que não pagam o investimento. Muito relevante.

Algo perturbador, Sons of Perdition é um documentário sobre miúdos que fugiram da cultura Mormon e têm de se orientar por eles próprios, para fugir da poligamia e outras ordens de uma cultura onde preferem partilhar o marido, inclusivamente com as filhas, pela salvação numa vida póstuma. As mulheres não pensam, não têm uma educação, só têm filhos, e é destas correntes que os jovens fogem, pouco preparados para o mundo real.

O Melancómico de Nuno Costa Santos é um pequeno livro com frases sobre a existência, a natureza humana em pequenas frases-racicionío desenvolvidas pelo autor na sua vida diária. Algumas verdades ditas a brincar, e pensamentos inteligentes com humor, sempre com o medo de que a tecnologia vá tomar conta das nossas vida.

Um tipo de dança inspirado pelos palhaços de aluguer nas festas em South Central é o motivo central de Rize, um documentário bem disposto, numa história com vários pontos tristes. Curioso.

Desde o começo como Utopia até à mudança de um tipo de som mais sério para o popular que os celebrizou, as Mamonas Assassinas levaram o seu som com trabalho árduo a vários pontos do Brasil. Mamonas Para Sempre é um documentário muito divertido, com muitas imagens deles e das pessoas que os rodeavam nos concertos e no estúdio. Uma história bonita de cumprir sonhos, que teve um final trágico, como se sabe.

Argumento escrito por Nick Hornby, tal como o livro original, Fever Pitch é sobre a paixão de um homem pelo futebol, que começa por ser levado pelo pai divorciado. O clube que apoia é o Arsenal, e se o filme tem momentos curiosos, é bastante entediante, na realidade. A namorada fica grávida e ele tenta esquecer a obsessão pelo Arsenal e preocupar-se com outras coisas, mas é o clube que lhe traz as melhores recordações. Suponho que exista uma outra versão Americana com baseball, mas este é mesmo o filme de 1997 com Colin Firth.

Um tiroteio num restaurante é investigado por três polícias de Los Angeles, levando a uma série de ligações ao crime organizado. Nada de mais, LA Confidential.

De nome completo Sidney Joseph Perelman, era referenciado por muitos dos principais nomes do humor, e O Mundo de SJ Perelman reúne muitos dos seus textos sobre coisas banais ou até desinteressantes, mas cujo resultado final é positivo, com sumo. É inteligente a falar do banal, contido, mas hilariante por isso, por ser pouco espalhafatoso. Os textos foram escritos entre 1930 e 70, na sua maioria para a The New Yorker. Abelhas, moda, revistas de medicina, lutas com administradores do prédio, encontros com mestres-de-cerimónias imaginários, vendedores de seguros, tramas entre amantes, tudo serve de assunto para nada.

Eduardo Galeano resgata milhares de anos de história através de relatos em Mirrors. Muitas vezes, o humor é usado, dada a natureza absurda e inconsequente porque a raça humana se rege. Dois mil e quinhentos anos de história escritos assim são deliciosos.

Descrito como um romance de aventuras, os Cavalheiros da Estrada é isso mesmo, fruto da admiração de Miachel Chabon por super-heróis e pela inspiração da banda-desenhada.
Uma aventura onde um médico, Zelikman, e um antigo soldado, Amran, andam pelo Cáucaso em 950 AC, fazendo dinheiro de qualquer maneira. Recebem a missão de serem guarda-costas de um imperador, e o leitor toma contacto com eles no decorrer de uma luta, que é afinal uma encenação para ganharem dinheiro com apostas. Anti-heróis portanto. Logo aí, Chabon demonstra uma linguagem muito própria, e uma incrível capacidade de descrição, com elevado ritmo da narrativa.
Felizmente, assim que os dois mercenários se fazem à estrada, o ritmo diminui. Um prisioneiro que levam escapa com um cavalo que é querido a Zelikman, mas depois de arranjarem outro viajante, ele é encontrado, de novo em desgraça. Juntam-se todos sob o nome de Irmandade do Elefante e partem para norte. Pelo caminho e tentativas de assassínio depois, o grupo cresce e consolida-se, contando com milhares de pessoas. No fim, por entre surpresas de identidades, tudo fica numa normalidade que convence os intervenientes que seguem a sua vida errante pela estrada.
Muito bem escrito, entusiasmante, até na parte seguinte, em que se explora dois Judeus, um Africano que teve a filha raptada, e outro Germânico que lhe assassinaram a família. O herdeiro do rei também teve a família assassinada, e no regresso ao trono, posto pelo exército, é raptado, violado e descoberto como sendo uma mulher que acaba vendida num bordel. Filaq assume a vida como Alp, depois da primeira vez com Zelikman que a deixa no trono a parte em busca de outras fortunas. Mesmo assim, sem espinhas.

Da autoria do mesmo E. H. Gombrich, The Story of Art é coisa de adultos, numa versão pequenina (de bolso). Ainda assim, os números falam por si. Publicado em 1950, vendeu mais de sete milhões de cópias até à data, sendo o livro de arte mais vendido de sempre. É uma introdução muito boa à arte, que vai desde as pinturas das cavernas, até aos anos 80, cuja principal arma é a escrita de Gombrich, cativante e incisiva. Como contra desta edição (desconheço se o mesmo se passa no original), apenas vale a pena apontar a divisão entre texto e imagens, ou seja, as imagens sujem todas juntas depois do texto, ao longo de centenas de página, sendo inevitável um constante folhear. Imprescindível ainda assim.

Às vezes aparecem assim pequenos tesouros como Photographer's Miscellany. A apresentação é imaculada, com uma capa e papel soberbos, e o conteúdo, vai para além das anunciadas histórias, técnicas e trivia. É exactamente nesta última que o valor do livro se confirma, com várias informações muito interessantes, que cativam qualquer um, e não só amantes da fotografia. Se conhecerem quem se insira nesta categoria, então este livro é uma prenda soberba. À confiança.

O terceiro tomo dedicado à arquitectura mais vanguardista dos nossos dias, Architecture Now 3 tem 92 arquitectos ao longo de quase 600 páginas, com especial incisão na actualidade do seu trabalho e nos seus projectos mais recentes. Muitas imagens destes, bem como informações biográficas dos arquitectos, não se pode pedir muito mais!

Tenho três volumes desta colecção Conversas Com, nomeadamente Jean Prouvé, Mies van der Rohe e Rem Koolhaas. No caso de Prouvé, é com Armelle Lavalou, no ano de 1982, e o Francês revisita o seu percurso profissional, de uma maneira humilde, de como as coisas se faziam noutra época. Com Mies, são registadas entre 1955 e 1964, e versa sobre a sua teoria de arquitectura e a experiência, ao passo que o livro de Rem Koolhaas reúne uma conferência um seminário numa escola.

Escrito por António Lobo Antunes sobre a cortina do cancro, Sôbolos Rios Que Vão tem a infância de Antoninho, e a morte de António, as doenças, a coragem e as trivialidades. Acaba por ser mais um exercício de linguagem, e um arredondamento da obra que satisfaz o autor.

A bem ver, a antologia poética que trouxe a Manuel António Pina o Prémio Camões deste ano, Poesia, Saudade da Prosa trata da poesia e dos seus agentes, com vários momentos de análise do passado. Sujeito poético pouco dado a problemas terrenos, toques aos clássicos, igreja e passado, ou seja, terreno fértil. Na forma, é clássico, tudo rima bem, e é ritmado.

Por ocasião da sua retrospectiva na Tate Modern, Gabriel Orozco viu a sua fama disparar. O Mexicano, que já viveu em vários pontos do mundo, é um artista muito polivalente e multifacetado, e é um caso em que realmente vale a pena perder tempo a admirar a carga teórica que imbui nos trabalhos, bem como as ideias por trás de gestos aparentemente simples. Se a arte moderna tem a sua quota de artistas que fazem coisas desprovidas de sentido, Orozco é o tipo de artista que desafia, e que recompensa quem vê o seu trabalho, pois são realmente ideias muito interessantes. Este livro de Jessica Morgan, para além de entrevistas e dos principais trabalhos, é muito bem estruturado a nível de imagens.

Pop Surrealism: What a Wonderfool World, assim mesmo, mal escrito, foi lançado como acompanhamento de uma exposição deste movimento dos últimos anos, feita em Spoleto, Itália, e por isso pouco promovido. O que é pena, pois para além de bem apresentado, tem cerca de setenta e cinco imagens dos quadros de quarenta dos principais artistas deste movimento, como Mark Ryden, Gary Baseman, Tara McPherson, Kathie Olivas ou Jeff Soto, ou seja, tudo de topo.

Curto e incisivo, CBGB: Decades Of Graffiti, é dedicado às paredes rabiscadas do extinto clube Nova-Iorquino, que nas paredes teve imensas histórias, umas com mais sucesso do que outras, mas que transpiram uma tradição alternativa.

Sobre o rapper Young Jeezy, A Hustlerz Ambition é um documentário narrado por Samuel L. Jackson. Começa por Londres e continua pelo resto da tour mundial, com Jeezy a narrar o presente, e a relembrar a relação com a família, principalmente com a mãe alcoólica e drogada após o divórcio do pai, de quem ele se afastou. Começou a vender droga, e depois há o relato dos associados e a passagem para a música, de um rapaz que era visto como um executivo. As doenças acabam a fase negativa do documentário, para depois abrir-se uma janela para a fase de sucesso, que colhe admiração dos seus similares.

Uma mini-série/concurso de quatro episódios, com uma hora cada, School of Saatchi reúne um painel de críticos que incluí a artista Tracy Emin, para premiar um novo talento da arte com três anos de estúdio e outros incentivos. Apesar de Charles Saatchi dar nome ao programa, nunca aparece em frente às câmaras, e o trabalho produzido pelos concorrentes não é nada de assinalável, mas sempre é um programa sobre arte.

De Milan Kundera, A Arte do Romance é um livro de homenagem do escritor Checo às suas inspirações, principalmente Kafka, Rabelais, Cervantes, Flaubert, Tolstoi e Hermann Broch. Nas entrevistas incluídas fala destes antecessores, e da sua atitude com a própria obra, cuja influência da numerologia é explicada, as traduções, entre outros. A história do romance literário na civilização ocidental também é alvo de uma longa análise, num livro bastante interessante e com um discurso muito cuidado.

Dividido por dois volumes, Modern Architecture A-Z é uma versão mais acessível de outro título da Taschen que ronda os 250€. Mais focado na própria biografia de cerca de 270 arquitectos e empresas, do que em questões técnicas, é também auxiliado por imagens de alta qualidade que traçam a história do arquitecto moderno, desde o século XIX, até aos movimentos mais vanguardistas. Os edifícios mais importantes são destacados em imagens, enquanto que outras obras, aparecem referidas no texto. Recomendado para conhecedores e iniciantes, até pelo estímulo visual providenciado pelas criações.

Condutor anónimo e duplo de cinema são as ocupações de Ryan Gosling em Drive, onde para se livrar de uma cilada, tem de acelerar e matar umas pessoas pelo caminho. Tão entediante como parece, possivelmente o filme mais sobrevalorizado do ano.