Le Donk and Scorzayzee é um falso documentário que estranhamente tem sido bem recebido. As duas personagens, o manager de um rapper que acaba a abrir para os Artic Monkeys num concerto, com apenas uma musica, são fraquíssimas, e apesar de não ter havido repetições, tudo o que eles fizeram é entediante e medíocre. Dos piores documentários que já vi, sem piada, sem verdade, tudo desesperantemente banal.

Numa noite de Halloween, duas raparigas decidem apanhar uma boleia depois de uma avaria no carro. Acabam por ir parar a uma casa, Demon House, um espaço livre para orgias, transformações em monstros, efeitos pouco especiais e actuações risíveis.

Os vinys deste episódio são de Converge, Mayhem e Modern Life Is War, entre outros. Continuo a perder a qualidade toda do vídeo na conversão, mas não consigo fazer mais.

Uma adolescente bailarina num council estate passa a vida a meter-se em problemas em Fish Tank, uma espécie de Adulthood realista e sem o lado meloso. O namorado que a mãe arranja, bastante mais novo, acaba por ser o elemento estabilizador, e apesar das várias frentes em que o filme se desenrola, é pena que não se saiba como é o futuro de Mia (Katie Jarvis poderá ser uma grande actriz, ainda que não tenha sido escolhida para este papel por acaso, até porque ficou grávida com 17 anos). Um filme Inglês independente muito bom, com uma banda sonora de eleição.

Ainda que tenham passado muitos filmes-pastilha-elástica por aqui ultimamente, não confundir este The Girl Next Door de Jack Ketchum. Baseado numa história da vida real, um homem na casa dos 50 vive sem revelar o que foi a vida dele, por isso o espectador assiste ao seu crescimento no Sul dos Estados-Unidos. O filme não explora bem as possibilidades, mas a fotografia e o enredo são muito bons. Ao crescer, ele vê a injustiça de uma vizinha que alinha com os rapazes, mas torna a vida das raparigas um inferno. Os abusos verbais passam a agressões físicas e psicológicas e depois tortura. É sem duvida dos filmes mais perturbantes que já vi, e para quem goste de horror, não podia recomendar mais.

O interessante diário de José Saramago (The Notebook) foi agora passado para o papel, com os apontamentos diários de Saramago e do que se passava no mundo, com as críticas e elogios pessoais e orgulhosos.

Um filme do adolescente rebelde, em The Basketball Diaries, Di Caprio realmente tinha qualquer coisa de especial para conseguir liderar o gang, e ao mesmo tempo passar legitimamente por um poeta. A sua personagem, Jim, entra na droga e deixa o basket, ficando completamente consumido O curioso é ser a história verídica que Jim Carroll escreveu em livro, com 17 anos, tendo depois dedicado-se à poesia e musica. Uma adaptação digna.

Uma peça de Caryl Churchill, Far Away começa com a premonição de um mundo em guerra, com uma rapariga que vê o tio maltratar pessoas com uma barra de ferro, e cuja tia mente, para que ele pense que é uma missão de auxílio. Na segunda parte anos depois, a rapariga, Joan, trabalha com Todd a fazer chapéus, e por fim, mais tarde, na casa da tia, está Todd a falar sobre animais, até que Jordan entra na conversa e fica tudo assim. Péssimo.

Uma fábula de Richard Bach, Jonathan Livingston Seagull é a história da gaivota com o mesmo nome, com fotografias de Russell Munson. O sentido da fábula está em fazer o melhor das nossas vidas, ainda que seja diferente do que temos em redor. Por ser escrito por um aviador, há várias adições precisas sobre os voos, mas claro que o mais importante é o lado sentimental da história da gaivota e da sua comunidade.

Em honra do recente encarceramento da Lindsay Lohan e do fim do ciclo de maus filmes que vi, resolvi rever Mean Girls, o graal das raparigas que queriam ser o que não são. A adaptação de Queen Bees and Wannabes tem Lohan indo de África para uma escola Americana, com os inerentes problemas de adaptação a uma nova realidade. Tudo imbecil, tudo absurdo, mas irresistível.

The Burning Plain de Guillermo Arriaga, tem boa fotografia, mas muito fraco em história, onde Charlize Theron enche o ecrã mas aparece desamparada, numa série de sideplots que não desembocam em nada.

O biopic de Charlie Parker, um desgraçado com drogas e mulheres como tantos outros musicais, é superiormente retratado em Bird de Clint Eastwood for Forest Whitaker. A morte da filha, a tentativa de suicídio e asfixia creativa acabam por tomar conta da vida de Parker, num filme que, algo longo, inovou e estabeleceu o padrão para muitos filmes da última década sobre músicos.

Um drama policial que é interessante quando retrata o lado dos criminosos, Brooklyn's Finest é penoso quando passa para o lado dos policias. Um futuro no fundo das prateleiras, não tendo nada de memorável que o distancie do que já foi feito.

Style And The Man é escrito para educar o homem, não só em como se vestir, mas também na qualidade das peças. Alan Flusser, para além da marca própria de que é responsável, é admirado pelos guarda-roupa de filmes, como Christian Bale em American Psycho. Como é de esperar, todos os aspectos do livro são muito bem cuidados, e os conselhos são orientados de forma a, consoante o corpo de cada um, se usarem as regras para as peças mais clássicas assentarem bem.

As ancas ou John Wayne pouco importam, com textos de Pasolini, Teixeira de Pascoaes, André Breton, entre outros, muita musica clássica e argumento de João César Monteiro, Le Bassin de J.W. é lírico, mas passada a monotonia inicial, tem momentos muito bem conseguidos. A profundeza dos textos acaba por se perder nos problemas de dicção do Francês de César Monteiro (noutros filmes, consegue o efeito pleno com o Português), no entanto, tem momentos de cinema excelentemente conseguidos.

Um fotógrafo de moda mulherengo, que acaba com 3 mulheres ao mesmo tempo por videoconferência, é convidado para o casamento do irmão, mas acha que o amor é um mito, por isso destrói tudo com o excesso de confiança. Até que é visitado por três fantasmas (Ghosts of Girlfriends Past) que o vão fazer repensar. Pode parecer ridículo, mas é cómico pois os flashbacks são feitos na companhia de uma mulher feia com quem ele andou 30 segundos. Claro que tudo fica bem e ele reencontra o amor. Bons interiores, mediano em entretenimento.

Pegando na fórmula de filmes ligeiros sobre a industria de moda, no caso de When In Rome, uma jovem que tem de ir a Roma durante 48 horas para o casamento da irmã, sem perder o contacto com o trabalho. Por roubar moedas de uma fonte de onde se dizia que de quem lá roubasse moedas, recebia o amor de quem as mandou, volta aos Estados Unidos e vê-se com uma série de tarados à perna e um apaixonado a sério. Nada de mais.

O Volume 4 das entrevistas da Paris Review. Neste volume estão coleccionadas, entre outros, William Styron e quão difícil é conseguir começar a escrever e a admiração por Faulkner, mas dizendo que não escreve na tradição sulista. Ezra Pound e os cantos e a vida fora dos EUA, a vitalidade de Jack Kerouak, E. B. White, o autor de clássicos infantis a reconhecer não ter lido quase nada de literatura, o humor dos 91 anos de P.G. Wodehouse fechado na América. A luta de Philip Roth para conseguir ter material para um livro, a arrogância de V. S. Naipaul que leva a que muitas questões tenham de ser refeitas, Paul Auster em versão versátil e acessível e a atitude civil de Murakami, que começou por escrever para se desligar ligeiramente do seu clube de jazz.

Não têm havido updates porque simplesmente ainda não acabei os livros que estou a ler e só tenho revisto filmes. No blog das Industries está um texto sobre a minha história do skate quando era mais novo, é extenso, mas pode ter alguma graça.

A Single Man continua com a cruzada a favor da causa homossexual de Tom Ford, na primeira realização, saíndo com motivos mais do que suficientes para se orgulhar e ser admirado. Um professor perde o companheiro de 16 anos num acidente e sente-se isolado de tudo. A banda sonora e os interiores são de um bom gosto tremendo, e Colin Firth é de uma classe intemporal.

Clerks de Kevin Smith, foi o predecessor de Mall Rats em 1994. Jay e Silent Bob são algumas das personagens que se cruzam no dia a dia do manager de uma loja de conveniência, num filme percursor de um tipo de humor muito bom, rodado a preto e branco, e que é um clássico moderno, a mostrar as neuroses dos empregados comuns que pouco se importam com as lojas que vigiam.

Há certos pilares que, quando derrubados, eu deixo de compreender. Um filme intitulado Sherlock Holmes que tem um Sherlock Holmes que não é Sherlock Holmes como personagem principal, com um Mr. Watson que não é Mr. Watson, coloca-me muitas barreiras ao juízo.
De que serve gastar milhões em cenários se uma coisa tão elementar como a coesão da personagem principal está completamente errada? A evitar.


A típica história de amor de fim tarde de Verão começa-se a desenrolar em Remember Me de Allen Coulter, após uma cena inicial que nos faz questionar se aquele é mesmo um filme com Robert Pattinson. Acontece que ele é bom, muito bom. A variante é os dois intervenientes terem tido uma morte na família, um suicídio e um homicídio. A relação de Tyler Hawkins (Pattinson) com o pai (Pierce Brosnan) é desfigurada, mas a maneira como conduz o filme é notável, até que se isso se torna demais para Tyler. Todas as personagens do filme são bastante boas, e até por ser um filme negro, é de saudar que seja apontado às gerações mais novas. Pattinson é o produtor executivo, se sempre engracei com a atitude dele, ainda mais o respeito por conseguir subir à tona no meio do lixo que lhe põem à volta.

O filme que marcou a década que iria começar do século XXI, American Psycho com Christian Bale imortalizado como Patrick Bateman é sobre esta personagem que
American Psycho, Christian Bale como Patrick Bateman trabalha para o pai num escritório em Nova Iorque. Como ele diz, "tem todas as características de um ser humano, mas nenhuma emoção"e por isso é um homicida sádico. A naturalidade de tudo é o que é perturbante, num filme interessante.

Um filme que começa com "Senhoras e senhores, bem vindos à violência", agrada-me. A mistura de um grupo de femmes fatales, carros, velocidade, perigo e mulheres é interessante, até pela audácia que representou para 1965, por Russ Meyer. Se Tarantino tentou passar Deathproof como um filme-homenagem, o que não disse foi que era uma transposição directa de Faster Pussycat Kill! Kill!

Do ano anterior, 1937, Jovem e Inocente (Young and Innocent) tem pormenores magníficos, num filme de Hitchcock, onde um homem é incriminado de um crime depois de lhe ter sido roubada a gabardine. Não é um filme de primeira linha dele, mas ainda assim vale a pena ver.


Baseado no livro de Ethel Lina White, Desaparecida (The Lady Vanishes) foi o filme que atraiu Hollywood a Hitchcock. Devido a um nevão, um conjunto caricato de hóspedes fica preso num hotel sem nada em redor. Passado o nevão, duas mulheres conhecem-se no comboio de regresso das suas férias na Europa. A mais velha desaparece e a outra tem de iniciar um desmascaramento dos ocupantes do comboio nas buscas por ela. Grandes personagens, sólido e bom.

Sempre que os Estados Unidos começam uma guerra, há três certezas. Vão morrer soldados e inocentes, vão perdê-la, e vão haver vários filmes sobre ela. Neste caso, Green Zone de Paul Greengrass é sobre a zona protegida de Baghdad, e é um filme mediano, uma espécie de Call of Duty com Matt Damon a procurar armas de destruição maciça que ele vê não existirem, ainda assim, é o melhor sobre a guerra do Iraque que vi.

Andy é agora um adolescente de 17 anos, e por isso os brinquedos já não são divertidos para ele. Vai para a universidade e Woody e os outros brinquedos têm de lidar com o facto de já não serem necessários e por isso são entregues a um sitio onde gerações de crianças brincam com eles, sem serem os donos, sem haver um fim para a relação, pois há-de haver sempre quem goste deles. Lá, existem ainda mais brinquedos que se tornam amigos, ou nem por isso... Em Toy Story 3, o ambiente mantém-se igual aos outros dois capítulos, bem como as boas piadas, com a partida de Andy a ser uma lembrança para a geração que cresceu com Toy Story, que há coisas que não voltam.

Não estou certo quanto ao ano a que estas curtas foram a concurso no Fantasporto, até porque existem quase 20 anos entre elas, mas fica aqui. Street of Crocodiles é um filme mudo em stop motion com marionetas, algo negro, mas engraçado, dos Irmãos Quay, de 1985. Kitchen Sink de Alison Maclean é sobre um feto que sai da canalização da cozinha e entretanto cresce. A preto e branco, fraco, tirando a cena final, muito prazenteira. Atraksion de Raoul Servais é mais recente, de 2001, esteticamente superior, como uma representação teatral, ainda que pareça muito amador graças a animações digitais.
The Listening Dead, Sean Joyner, 2006, é uma homenagem aos filmes mudos de horror que consegue ter algum mérito e The Bitch Is Back de Tjebbo Penning é sobre uma boneca insuflável chamada Lorena que é assassina, demasiado amador.
The Cat With Hands de Robert Morgan é o mais curto, com apenas 3 minutos, mas é o melhor, tem uma história bem conseguida, bons pormenores de realização e boa fotografia, e provavelmente um recorde de ficha de produçnao mais longa para filme mais curto.

Tommy Wiseau fez em The Room tudo e mais alguma coisa. Productor, argumentista, actor principal, realizador, distribuidor. Não admira que seja pior filme de soft porn mascarado dos anos 80, engate do mais reles, digno da cabeleira comprida dele, tudo muito datado. A banda sonora, os diálogos, a fotografia, é tudo horrível.

Para além das óbvias colecções, Supreme, editado pela Rizzoli, tem uma introdução, um artigo por Aaron Bondaroff (ex-Supreme e agora AnyThing) e uma entrevista do Kaws com o fundador da marca, James Jebbia. É bom que o legado de uma das principais marcas em termos de qualidade esteja assim preservado, com os calendários, as colaborações de skates para a posteridade, tudo muito bem ilustrado. Estranho deixarem de fora do catálogo final as peças mais bem executadas, focando-se nos ténis colaborativos, bonés e t-shirts, mas talvez se deva ao preço dos artigos, e por isso mais massificados. Essencial, na altura que se marcam 16 anos da marca Nova-Iorquina.

A primeira vez que vi o clássico Pink Flamingos de John Waters tinha 16 anos e foi numa tarde de Verão num museu. Era só eu e mais 4 pessoas na sala, mas gostei do aspecto da cultura Americana retratada no filme, um tipo de obra que marcou o período antes dos anos 80. Divine é a protagonista, com outras personagens como a mãe que é obcecada por ovos e vive num berço, e o drama do filme é a luta para descobrir quem é a pessoa viva mais nojenta. O filme é repugnante, mas tem tanto uma aura tão especial que o tornam num filme importante na história do cinema.