Depois de Dune, David Lynch realizou Blue Velvet em 1986. A inocência em Lumberton desfaz-se quando uma orelha é encontrada por Jeffrey Beaumont e ele é imerso numa onda de perversão. O filme é excessivamente longo e enfadonho, no entanto serviu de base para a temática que havia de ser desenvolvida em Twin Peaks e os seus ambientes.

Amália de Carlos Coelho da Silva é o filme Português distribuído em mais países, de sempre. Não me compete a mim discorrer sobre a veracidade desta biografia ficcionada, mas em termos cinematográficos, é um filme mesmo muito bom. A negatividade que paira é quase material de pesadelos, alegrada pela Lisboa dos pátios, muito bem retratada. Sandra Barata Belo é soberba e depois de um filme tão mórbido, saúda-se aquele final.

A estrutura meticulosamente perfeita d'A Morte de Ivan Ilitch, escrita por Lev Tolstoi e publicada em 1886 é uma das mais belas considerações sobre a vida.
Da total ausência no primeiro capítulo, onde já está morto, nos consequentes capítulos temos acesso ao âmago de Ivan Ilitch, as suas apoquentações derivadas da doença.
Com todo o sofrimento físico, Ivan recusava-se a morrer, mesmo sabendo ser inevitável, sendo o único alívio, aquele que iria dar aos familiares.
Ido o medo, pode alcançar a morte com felicidade, pois mereceu-a.

"De resto, para quê falar, é preciso fazer"

O número de páginas (noventa), não corresponde à dimensão da obra.

Numa nova edição do filme de família E.T., Spielberg juntou um segundo disco recheado de entrevistas actuais ao elenco (quase todos parecem sem-abrigos à excepção de Spielberg) e deu destaque à banda sonora de John Williams. Em termos de imagem, o filme está bem cuidado, no entanto a história do extra-terrestre que quer ligar para casa para insípida e exageradamente circular, vista aos olhos de hoje.

Uma actriz que se remete a um silêncio vitalício vê uma enfermeira ajudá-la. Quando toma conhecimento da opinião, a enfermeira percebe que as intenções da actriz são maléficas, e tendo-se exposto, procura agora A Máscara para também ela se tornar uma reclusa. O duelo silencioso entre elas só sofre uma quebra aos 45 minutos, para desconstruir tudo.
Realizado por Bergman em 1965, as incríveis representações das duas actrizes lançam o mote para um cinema introspectivo, analítico e de forte veia literária que viria a ser explorado mais tarde pelo Sueco, e cuja sobriedade deste filme ainda hoje é referenciada, num filme muito cru.

Depois da barreira do meio século foi editado este volume As Salas de Cinema, Os Protagonistas, E Os Filmes Do Cine Clube de Viseu, escrito e amplamente pesquisado por Fernando Giestas. Para além do destaque dado aos problemas em encontrar salas e sede, as desavenças politicas e o financiamento marcam quase toda a história do CCV. Uma obra de divulgação sobre uma obra com pouca divulgação. Em 1996 havia uma média de 10 espectadores, dez anos depois eram já 50, mas o CCV parece contente com o serviço 'as escolas em vez do serviço 'a cidade.

The National Gallery in Wartime dá primazia aos belíssimos registos fotográficos, desde o falso alívio dado por Neville Chamberlain até 'a troca de director no final da II Guerra.
Desde os raids de zeppelin da Primeira Guerra que havia sido estabelecida uma lista de casas dispostas a albergar as obras da National Gallery em caso de perigo, mas estas acabaram por ficar no tunel de Aldwych, já então em desuso.
Na Segunda Guerra, apesar da recusa inicial do primeiro ministro, foram transferidas para as montanhas Galesas, isto apenas para serem devolvidas no dia seguinte. Esse teste, serviu no entanto para ajustar os arranjos que no mês seguinte levaram as pinturas para Gales durante quatro anos.
Entretanto, houve uma troca para os salões de minas ajustadas, ainda em Gales, dada a impraticabilidade de ter tamanha colecção dispersa por casas particulares que iam ser necessárias ao esforço de guerra.
A National Gallery, manteve-se um local de cultura, com os concertos organizados pela pianista Myra Hess a despertarem o interesse de toda a cidade, prevalecendo mesmo sob bombardeamentos. Nos dez anos após a guerra foi restaurada, elevando-a do caos de vidro e ferro que deixou muitas salas inutilizáveis.
As fotografias são fantásticas, e existe igualmente uma versão em DVD com filmagens da época.

Mais uma expansão para este blog. A minha mãe lê-o de vez em quando, pessoas de bem passam por aqui, ainda assim achei por bem dar este espaço à Andy San Dimas. O que é que ela faz? É boa rapariga, mas ganha dinheiro a fazer filmes pornográficos. Não que eu perceba muito da área (juro, mas sou capaz de encaminhar interessados para pessoas com vastíssimos conhecimentos na área, que rivalizam os de Benfiquistas com a história do seu clube). A entrevista foi feita em Inglês, portanto não faria sentido estar a traduzi-la.

Hi Andy. First of all, "regular" people have no idea what do porn actors actually do besides porn. Do your friends care about it? On 1 to 10, what would be the importance of porn in your life? (Not counting with the money income obviously.)

It's always weird to me that I'm not considered a "regular" person, because everything I do seems so normal to me. I'm not what you would expect...I rarely party and I'm more into being at home with my boyfriend than I am into being out at a bar. I actually hate going to bars haha. I spend my days playing video games and lurking the internet. none of my friends really care about what I do...they forget that I'm even involved in the adult industry most of the time. like I said before, I'm not a crazy/slutty person in reality. I'm a good person, so things like that don't even matter to them. Porn is kind of important to me, but not really. I don't even watch it very much anymore... actually I lied... I watch my own stuff a lot. I have to tune other people out because I don't want their style to influence mine... so I give it a 5 or 6.

Do you get people recognizing you on the street? Any stories involving old dudes or mothers with kids coming to you?

I have been recognized in public a few times...everyone who has come up to me has been very nice/respectful. mothers with kids are actually some of my biggest fans! You would be very surprised!

You can't be attracted to everyone you do a scene with, so how do you go around that to still keep it interesting for the buyers? Or you only do it with your boyfriend, as I got the impression from your myspace?

My boyfriend and I both work with other people, but keep our relationship monogamous off screen. its true that sometimes you work with people who aren't so hot...but most of the time they are very professional and make you feel very comfortable and that's what keeps the scene going. I really love working with my boyfriend though...he is the best. We both know how the other one works so well that it always makes for a hot scene.

Where do you see yourself in 5 years?

Married to my boyfriend and living in Los Angeles. Still doing porn and more well known...with more money haha.

Is the porn business really worse than high school when it comes to bitching?

Ehhh kind of...people are either wayyy more uptight and catty or wayyy more relaxed and nicer, it's a world of extremes. I stick with the nice people.


Why did you choose Andy San Dimas? Do you really have to use a porn name or is it "well, now that I am here, I can treat myself with a porn name"? (Her real name is much more common, trust me)


I chose Andy San Dimas back when I was in high school and porn was just a daydream for me. Andy is the name of the little boy in the child's play series and San Dimas is the town Bill and Ted live in. I'm a huge Keanu fan. I have a big framed picture of him in my kitchen. you don't HAVE to have a porn name, but since my real first name is so boring I figured "why not be weird?".

Feel free to advertise upcoming projects!

I have a few new movies coming out...both directed by avn award winning directors (EON MCKAI & JACKTHEZIPPER).

She actually gave me links to promote stuff that she has coming out, but this message was displayed:

You have reached a link that is no longer in service. That means the link was very naughty, and, much like head lice, had to be eliminated before it spread.

I think it might be a good sign of the quality!

Last question, what is the best hardcore band ever?

This is such a hard question... I can't really decide between old favorites, so I'm just gonna use this opportunity to give my boys in TRAPPED UNDER ICE a shout out. ESSEX WHAT!

Saaanks! Andy rules and you know it. Now if you like porn, go give her some money.

Uma adaptação de 1968 feita por Roman Polanski, Rosamary's Baby é uma espécie de The Shining refinado. O ritmo do filme é soberbo, bem como a capacidade de disfarçar a quantidade de prenuncios de morte que acontecem mas passam discretos. Horror de charme.
O final tem tanto de aterrador como de estupendo, sendo o culminar das tensões que Rosemary vem a sofrer com o possível destino do filho que vai ter, sendo incapaz de confiar nas pessoas que a rodeiam.

Possivelmente dado ser já de 2007, talvez por ser no Montreux Music Festival (só Caucasianos na plateia), a Wu Tang Live at Montreux não desaponta mas também não atinge os níveis estratosféricos que eles são capazes. Não quer isto dizer que fazem as coisas por meia medida, no final de contas ainda é Wu Tang. Com todos os membros menos o ODB que já tinha morrido, e mais umas adições como o Cappadonna, percorrem os clássicos todos, bem como muitas faixas dos albuns a solo como Do U Really, Ice Cream, Shimmy Shimmy Ya, Liquid Swords e Da Rockwilder.
O Rza é o mais comedido, como é habitual nos concertos com o grupo, e o Method faz jus ao Iron Lungs, dado que começa calmo, mas pela quantidade de vezes que é visto a fumar, começa a soltar-se por mais do que habituação 'a sala. Todos os outros são extremamente competentes, numa ocasião fantástica para ver os oito em palco reunidos pela primeira vez desde a morte do ODB, numa gravação de alta qualidade.

A vida da Peter Beste durante oito anos foi viajar da América para a Noruega, totalizando 13 visitas, cerca de sete meses no total. Conseguiu penetrar no Inner Circle e ser aceite pelos membros das bandas mais carismáticas e True Norwegian Black Metal é o resultado. Algumas das fotografias aqui contidas são das mais simbólicas do movimento, desde a capa com o Nattefrost e a cruz invertida, 'a solidão do Gaahl rodeado de gelo, o Frost com as chamas na caverna, e aquela que para mim define o sentimento do Black Metal, o Kvitrafn na altura de Gorgoroth, na rua.


O livro é em formato coffee table portanto com páginas enormes, mas com um preço de capa de $60. Apesar de ter sido publicado pela Vice, neste momento está apenas dísponivel no website de Peter Beste.
Como complemento 'as fotografias, a parte central do livro, as implicações sociais são mencionadas, mas o destaque é dado 'a sobriedade destas individualidades e a beleza grotesca que anseiam projectar. Várias personalidades dão a opinião e traçam momentos importantes que definiram e levaram 'a consolidação desta arte reaccionária dos anos 90.
Incluida vem também um arquivo de alta qualidade com o célebre artigo da Kerrang que despertou a policia para as igrejas queimadas na Noruega, bem como vários números da Slayer onde se incluem entrevistas a Mayhem, Burzum e Emperor, uma carta acerca do suícidio do Dead, um press release da Hellvette aos compradores a explicar o motivo do encerramento e fotografias de arquivo.
Juntamente com o Lord of Chaos, True Norwegian Black Metal é o testemunho visual desta arte niilista e misantrópica.

It is important to point out that black metal is not like punk was, a group rebelling. It is every man for himself. It isn't like "all for one, one for all". It is individualism above all and 'unfortunately' a childish self-centeredness - Fenriz


Foto por Miguel Meruje

As pessoas gentis do Bodyspace decidiram chamar-me ilustre. Meteram-me junto com um bando de corréssios a falar de musica. Os outros ilustres são pessoas de quem eu nunca ouvi falar ou então, não tenho interesse em conhecer, considerando as respostas fornecidas. Sentimento de pertença, no entanto. Obrigado Bodyspace, pela consideração.

A lista pode ser consultada aqui. Eu sou o rapaz de Organic Anagram, para quem não sabe.
Desta vez vem o Netz da Torre da Marinha. Já o conheço desde que vivi em Lisboa, entretanto reencontrámo-nos em Londres e ele regressou a casa, mas já tem ideia em voltar. Numa altura em que não havia mais ninguém eramos só nós que iamos a concertos, aproveitar a vida de perdidos mesmo. Bons tempos. Aproveitem para ver a banda dele, Steal Your Crown.


Circa 2006. Netz a dar ares de grandeza e eu a estragar-lhe a foto.

Anagrama Orgânico : Vamos lá fazer aquilo que te mostrei em cima.

Netz : Só não tou a ver é o que e que queres que saque. Mano que é que queres que saque do site, não apanhei?

Não quero que saques nada. Já abriste o blog?

Ahahaha calma. Só agora é que percebi, estava com a cena do Mac e do Cs3 na cabeça.

Eu vou-te perguntar as cenas. Dou por aberta a sessão.

És fodido. Já tou a dormir

Andas a estudar e a trabalhar, o que é que fazes em concreto, e que planos tens?

Trabalho na Pioneer... é ok.  Dá umas quantas dores de cabeça (e de costas) e muitas desilusões ao final do mês. Comecei o curso de desenhador/projectista em Outubro no INEPI e os meus planos para o futuro são acabar o curso com uma nota agradável, explorando sempre ao máximo a área do curso. começar a trabalhar, ganhar experiência  de maneira a que me torne um bom profissional!

Queres adiantar o nome da banda que nos vai por a tocar beatdown na Tv?

Eu ia falar mais... mas se queres directo tasse bem!

Ahahah Não, continua lá que eu junto as cenas, não quero que te falte nada!

Como já sei que portugal nao é definitivamente para mim, irei concerteza emigrar pela segunda vez para Londres e tentar safar me professionalmente de maneira a que volte para portugal com muito "tempo" para investir e passar o tempo a viajar,conhecer o mundo e explorar os vários interesses que tenho..seja cinema,musica..etc
Essa pergunta do beatdown é a serio? Ahaha.

Sou eu a entrar... Cinco álbuns e os mesmos filmes, já sabes.

Sheer Terror - Just Can't Hate Enough
Bulldoze - The Final Beatdown
Wu Tang Clan - 36 Chambers
Gza - Liquid Swords
Fury of Five - tudo principalmente as faixas das demos e comps

Lock Stock and 2 Smoking Barrels
Godfather a triologia
Scarface
Pulp Fiction
Goodfellas

Tá-se, gangster

Ahah. Já sabia!

Por fim, é contares uma história comigo ou qualquer cena que te lembre de mim. Quer isto dizer, que não podes falar de Mangualde nem da feira de São Mateus. (São coisas que inexplicavelmente o fazem lembrar-se de mim)


Ahahahahahahhaaha Ia mandar uma dessas, mas já estou a ver que não dá! Eu tenho a pior memória de sempre...

Deixa ver se eu me lembro...

A viagem a Barcelona rendeu...

Barcelona sim. já iamos lá dançar uma flamencada. Já sei, descreve os concertos do 12bar em que eu te consegui tirar de casa.


Desde viagens a Barcelona , ficar em tua casa na minha primeira ida a Londres onde o Tofu não queria tomar banho e tu a dizeres ao Nuno que ninguém fode na minha casa aahhaahahah, à chamuça que vivia contigo e aos vários concertos em que me acompanhaste como um real bruv e onde vi das cenas mais pesadas de sempre desde bandas a foderem tudo a gajos a sairem disparados pelas portas de emergência....enfim.

O Tofu chamou-me hipocondríaco no outro dia, quando apanhei um vírus no estômago, por isso essa cena vai aparecer lá!
IT'S A WRAP


Agora do nada, lembrei-me da chamuça que vivia contigo, granda abuso! Grande clássico!

Espero que tenha morrido, ela e os caris dela.

Não vou estar a analisar nem os filmes nem os livros a esta hora (até porque já os vi mais de dez vezes), mas queria apenas recomendar aos frequentadores deste tasco, tirarem um dia para ver a trilogia do Lord Of The Rings na versão aumentada, toda de seguida. Hoje comecei por volta das 5 da tarde, são neste momento 3 da manhã e já ultrapassei a metade do Return Of The King. O motivo da falsa hora deste post, é para não retirar o destaque ao que se encontra em cima.

Por fim, só o momento de singular beleza que é a canção da Arwen.



With a sigh you turn away
With a deepening heart
No more words to say
You will find that the world
Has changed forever

And the trees are now turning
From green to gold
And the sun is now fading
I wish I could hold you closer

David Birmingham, um Sul-Africano, editou pela Cambridge Press esta Concise History of Portugal. Habituados como estamos a ser negligenciados em todos os manuais escolares dos outros países, até surpreende que se mencionem Camões, o Século XVI, Pessoa, vinho e agricultura. Para Birmingham não existe muito mais do que isso também. O estilo de escrita não é cativante e tem uma perspectiva que visa a exportação da obra, claro, principalmente nos problemas com a Aliança Inglesa, mencionada, mas indevidamente deixada impune. A necessidade sentida da libertação de Espanha séculos antes é também alvo de alargada análise. Numa era mais moderna, prende-se muito ao comércio do vinho, e em estatísticas que podem ser questionadas, não pela validade, mas pela relevância.

Bu San (Adeus Dragon-In) de Tsai Ming-Lian é uma experiência visual única. Primeiro porque se restringe a isso, as únicas vozes do filme são o que passa no cinema onde outro filme é projectado. Um espectador começa a ter visões dos actores a aparecerem ao seu lado e explora essa vertente fantástica, no entanto esta espécie de Resident Evil em silêncio é um suplício de assistir, dado ser uma constante repetição de cenas, e não há forma de romancear isto.

Toda a Gente Diz Que Te Amo, um clássico de Nova Iorque/Paris do Woody Allen é uma comédia musical que só ganhava se cortassem todos os momentos musicais, e que parece agora bastante datada. Se bem que a familia de que a história trata tenha carácter e as várias personagens se enquadrem bem, o estilo de narrador em voz off soa a filme de tarde da televisão. Ainda assim, Woodie Allen a desbobinar como actor, respira carisma, e a homenagem ao Deus Groucho não passa despercebida, incluindo no título do filme.


Segunda experiência Jeunet e Caro, conclusão : não. City of Lost Children já com mais de 10 anos, da referida dupla Francesa. Em termos estéticos é fantástico, apesar de os cenários não terem profundidade nenhuma. Em ultima instância, o guião não acompanha a cenografia e o filme é mal musicado. Apesar de as interpretações não serem anda de avassalador, são competentes, ainda que o filme pareça uma desculpa para passar de cena em cena, belíssimas, é certo, mas destituído de conteúdo.
Relativamente ao concerto de dia 13 de Dezembro, estou no site da Fnac.


Estranho.

Fazendo uso de tão poucos dados e recursos, um enredo clássico de Hitchock, adaptado muito livremente dum romance homónimo, 39 Steps é uma fórmula soberba de cinema em funcionamento. Da cena da morte, para a Escócia de onde provinha a pista, Richard, um Canadiano de férias em Londres, vê-se envolvido num assassínio dentro da casa que alugava.
Injustamente acusado, Richard Hannay vê-se perseguido e incapaz de provar o assassínio que não cometeu, arrastado para o cenário rural das montanhas Escocesas, onde teve de saltar do comboio.
É muito curioso os mecanismos que servem as peças do guião em direcção 'a conclusão final, com um grande sentido literário.

Mais uma entrada na única coluna aqui mantida com alguma regularidade.

O Miguel é dos tipos que eu faço questão de ir visitar sempre que volto a casa, nem que seja porque é fácil de dar com ele na Rip Off. Já o conheço 'a mais de 7 anos e deve ser o unico da geração dele que a) não me oferece álcool b) não começa a contar histórias de alguém e só depois se lembra que eu tenho menos 10 anos que ele. É um exemplo de rectidão, nunca o vi a maltratar ninguém e continuo 'a espera do dia em que vai largar a loja por uns meses para viajarmos pelo mundo fora.

Que andas a fazer, projectos, ideias, é favor por aqui.

Continuo a tentar mudar a loja para o centro da cidade pois, estou farto de aqui estar rodeado de tristes. A batalha pelo skatepark de Viseu continua também, mas parece que é desta que a ganhamos, passados mais de 14 anos de luta com a câmara (vou ter reunião lá na próxima sexta). E agora ando a sonhar com uma casa para lá ter um mini-indoor/mini-half onde o pessoal se possa juntar para grandes patuscadas, kalinadas, gargalhadas e claro skatadas. Ah e ando a ver se vou aí ter contigo no principio do próximo ano. Tou com saudades de London e vocês. E mais uma meia dúzia de coisas pois projectos/ideias não me faltam, tipo juntar aí uma malta e fazer uma banda de jeito para representar Viseu, fazer outro filme da loja e também começar com o documentário sobre o skate/música em Viseu, etc...

Cinco álbuns e cinco filmes por quem dês a cara?

Good Riddance - Ballads From The Revolution
Texas is the Reason - Do You Know Who You Are
Beastie Boys – Check your head
A Wilhelm Scream – Carrer Suicide
Pantera - Vulgar Display of Power

Qualquer coisa pelo Dan Wolfe,
Lost in translation,
Stars wars(yeap geek!!),
Rip-Off “2001 odisseia sem espaço para skatar”
e o futuro da Rip-Off(2009)

Ultima, podes usar isto para contar uma mini-história, fazer um poema de amor ou qualquer cena que a gente tenha feito.

Aquela vez que tava a skatar no tribunal e foste lá ter comigo e sakaste da mala do teu carro os tacos e bolas de golf para ali batermos umas. Ensinaste-me a bater a bola depois de mandares uma de 100 metros a rasar os carros que passavam na rotunda acima! Ali ficamos um bocado à frente do tribunal de Viseu a mandar bolas para as silvas/carros e a arrancar a “relva do Ruas” todos contentes. Ou podia também contar sobre aquelas noites Viseenses passadas a dizermos merda e tu a aturar-nos, mas não me lembro muito bem! ahahah

Acho que foi a melhor história que contaram comigo até agora ahah! Prepara as malas que eu li a cena do Scott Bourne ir 'a Mongólia com o Reed e a gente tem de fazer uma coisa dessas.

The 20th Century Art Book é uma mini-enciclopédia da arte do século passado como o nome indica, dividida alfabeticamente por artistas, cada um com um texto, dados biográficos, semelhanças artisticas e uma obra representada. Vem ainda incluido um glossário, bem como uma lista da localização das obras mostradas.
Dá preferência aos pintores, mas também faz algumas incursões no campo da fotografia, instalação e colagens.
Portugal surge representado pela falecida Vieira da Silva, num guia eclético em termos de nacionalidades, com a arte "global" do século XX.
Existe uma versão de mesa de café e uma de bolso, que diferem apenas nas dimensões. Ao todo, reune 500 artistas.

Ficam já agora dois que não conhecia antes.


Barbara Kruger - Untitled (We Are Not What We Seem) (Curioso, até porque afinal é onde a Supreme veio buscar a formula mágica)



Jean-Paul Riopelle (Não muito diferente do que Mark Tobey e o Jackson Pollock faziam)

Vai e Vem é o testamento de João César Monteiro, num dos ultimos filmes por ele realizado antes de morrer. Com longos diálogos a fazerem uso dos silêncios para acentuar a monotomia, é um acertar de contas com a vida para descansar em paz.
A caracterização de Adriana é fantástica. Garantido está o usual manancial de momentos "não acredito que ela disse mesmo isto!"
A poesia dos textos de César Monteiro, ora desfasendo minutos de invulgar sobriedade, ora tornando civilizados os mais inconcebiveis momentos. Os enormes diálogos filmados numa só sequência marcam também presença, numa obra seminal do melhor realizador Português.

"Cavalheiro ou camarada?"


A Relíquia de Eça de Queirós é um tratado na forma de escrever humor elegante. A dualidade de Teodorico, hilariante, bajulando a D. Patrocinio na frente e destroçando-a em pensamento é o que comanda a narrativa, a obediência cega 'a tia, os pudores.
Enquanto espera pela morte da titi, preocupada com relaxações, pensa nas viscondessas nuas, desprendendo-se da vida de rezas que a tia lhe ambicionava.
'A medida que sobre na consideração da tia, é informado da possibilidade de ela deixar tudo para a igreja, e depois da vida pessoal começar a desabar em Lisboa, Teodorico é enviado em viagem para Jerusalém. Até 'a chegada 'a cidade santa os acontecimentos são memoráveis, mas quando a estória decai para a história do cristianismo, sofre uma quebra, amiúde os conhecimentos bíblicos de Eça. No entanto, tudo se recupera com a chegada do triunfante Teodorico a Lisboa, numa descrição da viagem já com o "vil Negrão" presente, hilariante pelo cinismo do jovem doutor Teodorico Raposo.

Lá impiedades diante de mim, não! Arrombo tudo, esborracho tudo! Em coisas de religião sou uma fera!
Uma breve entrada no 5dias.net acerca de países que alteraram as línguas, ainda que brevemente.



Fotos de Obama postadas pela equipa dele, referentes 'a noite da eleição.

Boas noticias para Viseu. Novo centro de artes na Avenida da Europa.

Para acabar ficam só dois videos. São violentos e doentios, portanto não se recomenda a pessoas mais sensíveis, mesmo. São igualmente condenáveis, tendo apenas interesse pelo extremo a que o ser humano chega. Um. Dois.

Apesar da neve a seguir, de apanhar um autocarro 'as 5.35 da manhã, nada disso importa. Foi excelente.


Fernando Dacosta consegue com o novo Os Mal-Amados, uma conversa agradável, erudita, uma lição de história moderna Portuguesa através das amizades que ele fez entre estes mal amados. Das constantes referências a Natália Correia, a Helena Vaz Silva, a Marcello Caetano, são diversas as áreas dos visados. As histórias, de Sá Carneio à irmã Lúcia podem ser curiosas, mas a certo ponto questiona-se o propósito desta obra. Do Portugal muit sofrido em África passa-se para Vasco Pulido Valente a levar o prémio para o filho da puta mais azedo que a pátria teve o azar de parir. Venda-se aos "estrangeiros", já fora da validade. Aconselha-se o salto para Manoel de Oliveira, bem mais lúcido nas críticas ou claro, Agostinho da Silva, num um dos últimos.

Por causa da Ana, tiraram-me umas fotos para este blog feito pelo pessoal da Carhartt Lisboa. Vale também pelas invejas antigas nos comentários. Risos.


Acabadas de ver as duas temporadas do Skins, seguem algumas considerações. Existem obviamente paralelos e o incremento televisivo das doses de ficção, mas a maneira como doseiam o guião é de salvaguardar. Cada episódio foca-se numa personagem em concreto, e se na primeira parte é mais linear, na segunda servem para mostrar como reagem a situações adversas. o carisma de cada actor torna a série bastante agradável, com um humor especial na medida em que se ofendem uns aos outros reciprocamente, do modo como amigos fazem na realidade, não caindo na ficcionização fácil.


Imaginemos o século XVII. Uma humanidade a acordar para outros valores, diferentes interesses a atingirem camadas da sociedade que até então estavam alienadas, tendo prazer apenas em actos de violência, e eis que em Inglaterra um cego dita por via oral doze livros que dissecam a relação entre homem e Deus, as vias entre ambos e a sua relação com o mal, numa poesia inqualificável na sua beleza e profundidade. Paradise Lost de John Milton é isso.
A minha leitura do livro foi muito leviana, pois a analisar isto como qualquer outro livro levaria anos. A particularidade é que é mesmo um livro único.


Lembro-me de ter lido uma história da humanidade escrita por H.G. Wells quando era novo, mas teria ficado deliciado se por volta dos 15 anos me tivessem oferecido A Little History of the World por E.H. Gombrich.
Gombrich foi um historiador famoso pelo livro The Story of Art, que ele dizia não ser passível de ser entendido por crianças, mas antes disso escreveu esta história da humanidade a começar pela civilização Egípcia. Como ele próprio diz, o importante não são as datas dos acontecimentos, mas os acontecimentos em si e a forma como se desenvolveram uns nos outros. Recomendo mesmo que ofereçam isto a membros mais novos da família, agora com o natal por perto. A escrita é bastante acessível e numa narrativa entusiasmante, que apesar das lacunas que um Austríaco a escrever sobre o mundo alcança, é uma história sintetizada dos acontecimentos mais importantes que esta raça auto-destruidora alcançou.

A cerca de um mês, na Fnac Viseu.

Walt Whitman viveu durante quase todo o século XIX e fez os Estados Unidos transbordarem para as linhas da poesia. Mais uma edição da Biblioteca Editores Independentes, Canto de Mim Mesmo, tem Whitman de peito aberto, a revelar-se a quem o lê sem preocupações, estabelecendo uma relação de intimidade com o leitor por lhe permitir aceder a tão diversas preocupações que ele expressa, bem como respostas que tenta dar, com uma posição constante a tentar estabelecer os padrões da vida.
Uma palavra acerca da forma desta edição, pois vem com o original em Inglês nas páginas da esquerda e a correspondente tradução Portuguesa de José Agostinho Baptista 'a direita. Os próprios poemas também são de versos mais longos que o costume, como uma métrica pouco convencional, mas acessível.

Ismos por Stephen Little é um livro de formato "quase-bolso" muito bem apresentado, que divide os movimentos artísticos de a renascença. Uma introdução de um parágrafo é sucedida de uma listagem dos pintores a quem se reconhece pertença de determinado movimento, palavras chave e uma analise um pouco mais extensa. Dividido por cores e contendo impressões de alta qualidade dos quadros, é bastante útil para "arrumar" cronologicamente ideias, para quem tenha duvidas. Introduz também movimentos que eu nunca tinha ouvido falar, como o gestualismo ou emocionalismo.

A Estrada de Federico Fellini começa com a cena da mãe a contar a Gelsomina que foi vendida, e dinheiro daí proveniente será util na remodelação da casa. O comprador, Zampano, é um artista ambulante para quem a estrada já perdeu a magia, que ganha a vida a rebentar correntes com o peito em praças publicas. Desde logo, tenta juntar a impressionável Gelsomina ao seu número.
Abusada em privado, a graciosidade dela floresce diante de um publico. Anthony Quinn é magnifico como Zampano, podendo apontar-se a falha da dobragem, pois ou a faixa do som ficou muito danificada e teve de ser regravada, ou ele não falava mesmo Italiano no original. Compensa pelo porte que cede 'a personagem.